Para Dilma, é preciso apoiar o processo político venezuelano

A presidente Dilma Rousseff participou ontem à noite do velório do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez na Academia Militar. Logo depois, ela embarcaria de volta para Brasília. Previsto inicialmente para hoje, o retorno da presidente foi antecipado logo após o governo da Venezuela anunciar que o funeral se estenderia por ao menos sete dias.

LEONENCIO NOSSA, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2013 | 02h06

Dilma usou boa parte das oito horas que esteve em Caracas para discutir sobre política interna com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador da Bahia, Jacques Wagner, integrantes de sua comitiva.

Nos momentos em que o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, participou da conversa, a presidente fez e ouviu comentários sobre a situação na Venezuela. Dilma concordou com avaliações de que é preciso respaldar o processo político que estaria caminhando para uma vitória de Nicolás Maduro nas eleições. Há uma preocupação da presidente e dos diplomatas em relação ao calendário do processo eleitoral, segundo assessores.

O grupo classificou de estratégia política a decisão de prorrogar o velório de Chávez e depois embalsamar o corpo, aproveitando à exaustão a figura do ex-presidente na busca de votos. Em meio às incertezas e instabilidades, com disputas dentro do grupo governista, não seria uma boa ideia de Maduro enterrar logo o melhor cabo eleitoral que um candidato poderia ter, avaliaram pessoas próximas de Dilma.

A disputa eleitoral que vai definir o sucessor de Chávez não começou oficialmente, mas a imagem do maior puxador de votos do processo, o presidente morto, estava em todas as ruas e avenidas da capital, nos programas de rádio e TV. Para assessores próximos de Dilma, as cenas de fanatismo e adoração em volta da figura de Chávez lembrava a comoção no Brasil pela morte do presidente Getúlio Vargas, em 1954.

Diante da campanha por Maduro, por meio das homenagens póstumas a Chávez, o governo brasileiro avalia que, a partir de agora, deve fazer um esforço para que o processo de transição ocorra em clima de tranquilidade.

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