Divulgação/Wilmer Maldonado
Divulgação/Wilmer Maldonado

Para driblar escassez, venezuelanos exilados enviam comida para parentes

Transportadora com sede em Miami criada por Wilmer Maldonado usa aviões e contêineres para distribuir produtos em 12 cidades venezuelanas; clientes pagam entre US$ 4,5 e US$ 24 por quilo de mercadoria enviada ao país natal

Claudia Müller, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2017 | 07h00

Quando se mudou para Miami definitivamente, em 2014, Wilmer Maldonado começou a receber encomendas dos amigos venezuelanos. Geralmente, celulares, tablets ou roupas. Conforme a crise avançava na Venezuela, os pedidos se transformaram unicamente em comida e produtos de higiene pessoal. Com tantas demandas, ele optou por criar uma empresa, que atualmente transporta para o país cerca de 2 toneladas mensais só de alimentos.

Desde 2015, quando a companhia surgiu oficialmente, Maldonado afirma que o sócio, também venezuelano, e ele conquistaram cerca de 500 clientes, sendo mais de 200 da Venezuela. Muitos dos pedidos, no entanto, tem como origem países como Inglaterra, Austrália, Japão e Argentina, feitos por quem conseguiu fugir da crise de desabastecimento, mas ainda tem parentes na nação bolivariana.

Os produtos mais encomendados são macarrão, arroz, feijão, frango, xampu e papel higiênico. Segundo Maldonado, os clientes podem tanto solicitar os produtos para a empresa, quanto comprar pela internet e pedir para que sejam entregues no endereço da distribuidora, que então só precisa fazer o despacho. O envio da mercadoria ocorre por via aérea ou marítima, com preços que variam de US$ 4,50 a US$ 24 a cada meio quilo, dependendo do peso, da forma de transporte e do local de entrega.

Diante das críticas de que estaria ganhando dinheiro com a crise venezuelana, o empresário garante que não quer enriquecer, apenas cobrar o justo. "Eu jamais faria isso, ainda mais às custas da situação que atravessa o país", explica. "Nós até empacotamos novamente todas as embalagens, para que ocupem menos espaço e custem menos para o cliente", garante. "Quando a encomenda chega na Venezuela, um equipe da minha confiança é responsável por pegar a carga e distribuir."

Para transportar comida é necessário ter uma licença do governo venezuelano. "Eu não consigo essa licença porque eles não querem mostrar que há uma crise", diz. Assim, para driblar a fiscalização e evitar problemas, ele envia os produtos em contêineres e em dias diferentes dos que chegam as encomendas do governo. A empresa de Maldonado faz distribuição de produtos em 12 cidades venezuelanas.

A publicidade é feita em um site, todo em espanhol, e por anúncios em redes sociais, principalmente em grupos venezuelanos de troca e venda de produtos. O empreendedor diz ainda que sua transportadora não atende apenas a pessoa física. "Também trabalhamos com envio de cargas para empresas, porque ainda existem as que querem manter o funcionamento no país, lutando para que os cidadãos tenham o que precisam."

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