REUTERS/Marco Bello
REUTERS/Marco Bello

Para poupar incubadoras, hospital venezuelano ensina 'método canguru' a mães de prematuros

De acordo com as estatísticas mais recentes do Ministério da Saúde do país, a mortalidade infantil aumentou 30% em comparação com o ano anterior

O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2018 | 17h19

CARACAS - O maior hospital maternidade da Venezuela está pedindo às mães para cuidarem de bebês prematuros sem gravidade por meio do contato pele a pele conhecido como “método canguru”, em vez de colocá-los em incubadoras, à medida que sofre com falta de equipamentos médicos.

Na semana passada, médicos do Hospital Concepción Palacios deram aulas para ensinar enfermeiras e mães como segurar recém-nascidos junto ao peito nu dentro de uma bolsa ou envoltos em panos.

Desde os anos 1990, os pesquisadores sabem que o método canguru é a maneira mais eficaz de reduzir a mortalidade infantil e melhorar o desenvolvimento de bebês prematuros e abaixo do peso quando não há risco de a criança morrer. O método é largamente usado em países como EUA, Noruega e Finlândia. No Brasil, ele é usado na rede pública e privada desde 1999.

Na Venezuela, no entanto, a medida é uma maneira de os hospitais públicos lidarem com a crônica falta de equipamentos, remédios básicos e a fuga de enfermeiras e médicos para o exterior depois de cinco anos de crise.

Um médico veterano do Concepción Palacios, que falou anonimamente, disse que o hospital carece de quase todo o material necessário para tratar dos pacientes, como água, desinfetante, leitos e cubículos.

O Ministério da Informação venezuelano não respondeu a um pedido de comentário sobre a falta de equipamento nos hospitais.

De acordo com as estatísticas mais recentes do Ministério da Saúde do país, a mortalidade infantil — a morte de crianças de menos de 2 anos — aumentou 30% em comparação com o ano anterior e chegou a 11.466 casos em 2016.

O relatório citou sepse neonatal, pneumonia, síndrome da angústia respiratória do recém-nascido e precocidade como as causas principais.

Lide Diaz, coordenadora do programa de método canguru do Concepción Palacios, disse que, graças à nova abordagem, as incubadoras estarão disponíveis para bebês cujo estado é considerado grave.

“Tiramos o bebê da incubadora... e o colocamos aqui”, disse Lide, apontando para o peito.

O Concepción Palacios é o único hospital público da Venezuela com tal programa, já que outros não conseguem proporcionar o ano inteiro de acompanhamento que é necessário, explicou Lide. Os quartos do programa são bem conservados, com imagens de cangurus nas paredes.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) forneceu assistência técnica e equipamento médico para o hospital avaliar a saúde dos bebês. / REUTERS 

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