AP Photo/Ahn Young-joon
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Para entender: 7 pontos sobre as negociações com a Coreia do Norte

Durante os preparativos, os dois lados vão buscar reduzir as tensões, evitando o risco de uma guerra, mas a impulsividade de Trump pode pôr as negociações a perder

O Estado de S.Paulo

09 Março 2018 | 21h05

1. Os preparativos para as conversações entre Coreia do Norte e EUA trazem menor risco de guerra e fazem com que os dois lados reduzam as tensões para que ambos considerem suas ações pacíficas e preservem os esforços diplomáticos nos quais os dois lados investiram capital político.

2. Ações incompatíveis podem levar ao fracasso das conversações. Trump já se comprometeu a fazer à Coreia do Norte sua mais desejada concessão – um encontro entre os dois líderes. Mas a Coreia do Norte não se comprometeu com nada publicamente e o fato de ter usado a Coreia do Sul como sua interlocutora torna mais fácil para ela desmentir. Trump disse que a desnuclearização é “o mínimo aceitável” das negociações, fazendo com que seja mais difícil para ele aceitar um resultado mais modesto (e mais alcançável). Os norte-coreanos podem deixar mais livremente, enquanto os americanos estarão mais desesperados para voltar para casa com qualquer tipo de vitória.  Essa formulação coloca os EUA em desvantagem mesmo antes de as conversações começarem.

3. Funcionários sul-coreanos disseram que Kim Jong-un está comprometido com a “desnuclearização”, algo que significa algo muito diferente do ponto de vista da Coreia do Norte e dos EUA. Segundo o analista sul-coreano Duyeon Kim, para os americanos isso significa o total desarmamento da Coreia do Norte, algo difícil de ocorrer. Mas, para os norte-coreanos, de acordo com o analista, isso significa um desarmamento mútuo, nos qual os EUA também abririam mão de suas armas.

4. É praticamente um axioma da diplomacia internacional que os chefes de Estado se reúnam somente no fim das conversações, após os funcionários de nível mais baixo terem feito o “trabalho sujo”. Os negociadores precisam ser livres para rejeitar as demandas, se contradizerem ou mesmo abandonar o diálogo, pois podem sacrificar sua credibilidade. Já os chefes de Estado ficariam muito mais constrangidos. Segundo Robert E. Kelly, professor na Universidade Pusan da Coreia do Sul, em um processo típico, “haveria uma série de concessões para a construção de confiança e credibilidade que eventualmente levariam a uma séria discussão sobre a desnuclearização”. Em vez disso, o governo Trump pulou diretamente para a última fase. Para o especialista Victor Cha, “o fracasso nas conversações deixará os dois lados sem outro recurso diplomático”.

5. Trump não tem a assistência e o apoio institucional  que presidentes mais experientes consideraram essenciais, pois atualmente os EUA não têm um embaixador na Coreia do Sul  nem um subsecretário de Estado para controle de armas e segurança internacional. 

6. As conversações e seu resultado serão determinados, em um grau sem precedentes, pelas posições pessoais e impulsos de Trump. Kelly, o especialista em Seul, manifestou preocupação com “o estilo caótico, errático e pessoal de governar de Trump”.

7. Para a Coreia do Norte, conseguir conversações no mais alto nível já é uma vitória. Kim busca transformar seu país de um pária a uma potência nuclear estabelecida, um concorrente dos EUA e um participante do cenário internacional e Trump garantiu essa vitória.

 

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