JUAN BARRETO / AFP
JUAN BARRETO / AFP

Para entender: a situação das fronteiras da Venezuela com Brasil e Colômbia

Bloqueios determinados por Nicolás Maduro para impedir entrada de ajuda humanitária há mais de uma semana prejudicam milhares de pessoas

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2019 | 16h25

A fronteira entre Brasil e Venezuela, em Pacaraima (RR), continua fechada. O bloqueio chegou ao 8º dia nesta sexta-feira, 1º, mesmo após uma negociação entre os governadores dos Estados de Roraima, no Brasil, e Bolívar, na Venezuela. Na quarta-feira 27, o governador de Roraima havia afirmado que a passagem seria liberada após ficar bloqueada por ordem do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"Conversamos com o governador do Estado de Bolívar, Justo Nogueira, principalmente sobre a abertura da fronteira e a manutenção do relacionamento comercial com a Venezuela. Hoje nós somos importadores de energia, calcário, fertilizantes e combustíveis”, afirmou o governador Antonio Denarium.

O presidente venezuelano determinou o fechamento da fronteira com o Brasil para tentar barrar a ajuda humanitária oferecida pelos EUA e por países vizinhos, incluindo o Brasil, após pedido do presidente autoproclamado Juan Guaidó. Maduro vê a oferta dessa ajuda como uma interferência externa na política da Venezuela.

Muitas pessoas ainda tentam passar pela fronteira, mas são impedidas pelos militares venezuelanos, que bloqueiam a entrada no país vizinho.

Embora fechada, guardas na fronteira venezuelana têm autorizado a passagem de veículos civis em emergências médicas ou para compra de remédios - o que tem sido frequente.

A fronteira com a Colômbia também foi fechada por ordem de Maduro. "Nunca antes um presidente da Colômbia havia caído tão baixo e feito o que fez contra a Venezuela como o senhor Duque", disse o venezuelano comparando o presidente colombiano, Iván Duque, ao "diabo".

Milhares de pessoas foram afetadas pelo fechamento das fronteiras, que impediu a circulação de estudantes, trabalhadores e doentes nas cidades venezuelanas que fazem limite com o Brasil e com a Colômbia.

Na fronteira com o Brasil os estragos deixados pelos enfrentamentos entre as forças da ordem e comunidades indígenas, que também pediam a entrada de alimentos e remédios doados por outros governos, continuam sendo contabilizados. 

O deputado venezuelano Américo de Grazia disse que vários membros da etnia Pemón se viram obrigados a procurar refúgio no Brasil "fugindo das ações criminosas da Narco Ditadura". 

Já uma fonte do governo do Estado venezuelano de Táchira, vizinho ao colombiano Norte de Santander, disse que as Forças Armadas Bolivarianas (FANB) não facilitam nem mesmo a passagem de pacientes crônicos que fazem tratamento em Cúcuta. A proibição também foi taxativa para as mais de 5 mil crianças que estudam do lado colombiano e vivem em Táchira.

Vários moradores desta região disseram à Efe que o fechamento das passagens é total. No entanto, os caminhos ilegais que sempre existiram ao longo dessa porosa fronteira registram nestes dias um maior fluxo de pedestres que vão de um lado para o outro, em

alguns casos diante do olhar anuente das forças da ordem de ambos os governos, embora a Colômbia já tenha retirado as restrições do seu lado.

A Efe teve acesso a uma convocação feita por moradores destas localidades que vão reivindicar na próxima segunda-feira o restabelecimento da passagem de pedestre para estudantes através de um "corredor" que autoridades eclesiásticas estão preferindo

chamar de "fraterno" em vez de "humanitário".

As manifestações a favor da entrada da ajuda humanitária provocaram enfrentamentos que terminaram com 300 pessoas feridas em Táchira e pelo menos cinco mortos no estado venezuelano de Bolívar, segundo dados de organizações não-governamentais.

Risco de desabamento

Além da crise humanitária, há risco de acidentes. Três das quatro pontes que ligam a fronteira da Colômbia com a Venezuela correm risco de desabar em razão do sobrepeso que as forças de Nicolás Maduro colocaram nas estruturas para manterem o bloqueio e impedir a entrada de ajuda, afirmou na quinta-feira o governo colombiano.

"Denunciamos essa atitude por parte da ditadura de Maduro que está colocando em risco não apenas a infraestrutura da ponte, mas também sua própria população. Todos os dias, eles colocam carga estática não apenas na ponte Simón Bolívar, mas também na Ponte da Unidade", disse o diretor da Migração Colômbia - agência alfandegária do país -, Christian Krüger./ EFE, AFP e REUTERS

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