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Para entender: As relações entre Irã e EUA desde a saída dos americanos do acordo nuclear

Em quatro meses, os governos dos dois países elevaram o tom e chegaram a fazer ameaças um contra o outro; em meio à guerra verbal, Rússia, China, França, Alemanha e Reino Unido tentam manter negociação e evitar que sanções americanas prejudiquem empresas europeias

O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2018 | 12h42

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, anunciou a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã no dia 8 de maio. Confira os principais fatos que marcaram as relações entre os dois países desde então:

Anúncio da retirada

Trump anunciou a saída dos EUA do acordo nuclear estabelecido em 2015 e afirmou que as sanções contra o Irã e empresas que façam negócios com Teerã seriam reimpostas. A negociação foi assinada depois de dois anos de conversas entre Irã, EUA, China, Reino Unido, França e Alemanha e estabeleceu que parte das sanções seria suspensa, além do compromisso do governo iraniano de não possuir nenhuma bomba nuclear. Segundo o Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA), o país respeitou as condições do acordo.

Depois da saída, Washington indicou que as sanções seriam efetivadas de maneira imediata para novos contratos de empresas e deu o prazo de 90 a 180 dias para que multinacionais abandonassem suas atividades no Irã. Apesar disso, França, Alemanha e Reino Unido afirmaram estar decididos a garantir a execução do pacto e preservar os benefícios econômicos para a população iraniana.

Garantias para Teerã

Também no dia 8 de maio, o presidente iraniano, Hassan Rohani, advertiu que o país poderia deixar de respeitar as limitações impostas pelo acordo e voltar a enriquecer urânio caso as negociações com os outros países signatários do documento não chegassem aos resultados esperados. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, exigiu, em 9 de maio, garantias reais aos líderes europeus.

Quatro dias depois, o chefe da diplomacia iraniana, Mohamed Javad Zarif, começou uma rodada diplomática para salvar o acordo. Apesar de os dirigentes europeus se comprometerem em garantir recursos econômicos ao Irã, empresas como a francesa Total pararam suas atividades econômicas no país motivadas pelo temor das sanções americanas.

Pressão

No dia 21 de maio, o governo americano ameaçou o Irã com as sanções "mais fortes da história" caso Teerã não aceitasse as condições para o estabelecimento de um "novo acordo", que teria como objetivo reduzir a influência do regime iraniano no Oriente Médio. A vice-presidente iraniana, Masoumeh Ebtekar, disse em junho que o país desejava que a manutenção do acordo fosse confirmada "o mais rápido possível" e alertou que o Irã havia iniciado "trabalhos preparatórios" para voltar a enriquecer urânio, caso o pacto fosse rompido em definitivo.

Apoio ao Irã

Em 2 de julho, o diretor político do Departamento de Estado americano, Brian Hook, reiterou que o governo estava empenhado em reduzir a zero a exportação de petróleo iraniana. No dia seguinte, Rohani disse que as autoridades dos EUA nunca conseguiriam impedir o Irã de exportar petróleo. Em 6 de julho, os dirigentes dos países europeus, além de Rússia e China, anunciaram o desejo de permitir que o país continuasse exportando petróleo e gás. O compromisso fazia parte de uma lista de 11 objetivos estabelecidos em uma reunião com Teerã.

Dez dias depois, os líderes europeus rejeitaram o pedido americano de isolar o Irã economicamente e aprovaram medidas jurídicas para proteger empresas europeias de sanções do governo dos EUA. No dia seguinte, fontes de governos europeus reconheceram que Washington rejeitou o pedido para que as empresas europeias presentes no Irã não fossem punidas. Assim, o governo iraniano elevou o tom e denunciou o governo americano na Corte Internacional da Justiça pela retomada das sanções.

Ameaças

No dia 22 de julho, Rohani advertiu Washington a "não brincar com fogo", frase que, em farsi recomenda "não brincar com a cauda do leão", acrescentando que um conflito entre EUA e Irã seria a "mãe de todas as guerras". Trump reagiu, exigindo que o Irã "nunca mais" voltasse a ameaçar os EUA.

No entanto, o presidente americano mudou o tom uma semana depois e, em 30 de julho, afirmou que estava disposto a se reunir com dirigentes iranianos sem condições prévias. O chefe da diplomacia iraniana disse apenas que "as ameaças, as sanções e os efeitos do anúncio não funcionarão".

Tensão

Em 3 de agosto, manifestantes iranianos atacaram uma escola religiosa em uma Província próxima a Teerã. Nos últimos dias, centenas de pessoas têm se reunido em grandes cidades do país para protestar contra as dificuldades econômicas, que podem aumentar a partir desta terça-feira, 7, com o restabelecimento da primeira leva de sanções americanas. / AFP

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