Martin Mejia/AP
Martin Mejia/AP

Para Entender: Contestação de votos pode alterar rumos das eleições peruanas

Socialista Pedro Castillo lidera corrida contra Keiko Fujimori, que alega fraude no processo eleitoral

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2021 | 19h00

LIMA - Após perder a liderança para o candidato socialista Pedro Castillo, a direitista Keiko Fujimori denunciou, com vídeos e fotos sem autenticidade verificada até o momento, uma suposta fraude no processo eleitoral peruano. Com 96% dos votos apurados, a diferença entre os dois candidatos é de apenas 76 mil, o equivalente a 0,44 ponto percentual. De acordo com cálculos da Agência Reuters, 740 mil votos ainda não haviam sido contabilizados até o meio-dia desta terça-feira, 8, excluindo-se os nulos.

Em um cenário tão acirrado, a contestação de Fujimori levanta algumas preocupações. Entenda até que ponto ela pode influenciar as eleições:

Existe alguma evidência de fraude?

Os especialistas eleitorais dizem que não. “Estamos diante de um processo absolutamente normal, o Peru tem um dos melhores sistemas eleitorais da América Latina”, disse Ivan Lanegra, chefe da agência de fiscalização Transparencia. Observadores internacionais também disseram que o processo foi limpo. Até agora, exatamente 1.384 cédulas eleitorais foram enviadas para revisão, um número próximo do registrado no último ciclo eleitoral. Os motivos são diversos, desde a falta de assinaturas a erros aritméticos e a dúvidas sobre se uma votação foi devidamente assinalada na cédula.

Quantos votos estão sendo contestados?

Cerca de 300 mil, calculou a agência Reuters, assumindo padrões de absenteísmo padrão. Alguns serão anulados - votar é obrigatório no Peru, então as pessoas que não querem pagar multa, mas também não querem votar, às vezes desenham rabiscos ou deixam a cédula em branco. Considerando o número de possíveis votos anulados, o número de votos contestados cai para cerca de 280 mil.

A contestação pode mudar os rumos da eleição?

No momento, Fujimori recebe um pouco mais de votos que Castillo, vindos principalmente de eleitores estrangeiros, cujas cédulas demoram mais para serem contadas. No entanto, esses votos, por si só, não são suficientes para uma virada. Se um júri eleitoral decidir revisar os votos contestados, o cenário pode ser outro.  Quase metade das urnas contestadas está em Lima, um bastião de apoio a Fujimori. 

“O momento atual na contagem de votos favorece Castillo, com os mercados já presumindo uma vitória estreita", disse Siobhan Morden, da instituição financeira Amherst Pierpont Securities, acrescentando que as coisas sempre podem mudar. “Só acaba quando termina.” /REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.