Andres Valle/AFP
Andres Valle/AFP

Para Entender: O caminho para o impeachment no Peru 

Congresso peruano aprova destituição do presidente Martín Vizcarra por 'incapacidade moral'. Saiba mais sobre o processo 

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2020 | 05h00

LIMA - Na noite desta segunda-feira, o Congresso peruano aprovou a destituição do presidente Martín Vizcarra por "incapacidade moral", ao final de um segundo julgamento político em menos de dois meses. Saiba mais sobre o processo: 

1.Como se chegou ao processo?

O presidente Martín Vizcarra, que não tem representação partidária no Congresso, há muito luta contra os deputados em razão de sua agenda anticorrupção. A decisão de destituí-lo ganhou força em setembro, em meio a acusações de que ele encobriu laços com o pouco conhecido cantor Richard Swing, que tinha contratos com o governo. O Congresso rejeitou o impeachment. No entanto, pouco depois, surgiram novas denúncias de que ele havia recebido US$ 640 mil em subornos quando era governador da região de Moquegua. 

2.Quem assume o cargo?

Segundo a Constituição, o presidente do Congresso, Manuel Merino, agrônomo e empresário, assumirá o cargo de presidente interino até o fim de julho de 2021. Já há eleições gerais marcadas para 11 de abril. Ele deve prestar juramento nesta terça-feira, 10. Em setembro, o governo de Vizcarra acusou Merino de tentar envolver as Forças Armadas no impeachment, após ele ter contatado comandantes militares. Merino negou. Nos últimos meses, o Congresso tem aprovado leis populistas para revitalizar a economia, em queda por causa da pandemia de coronavírus.

3.Que impacto terá o afastamento?

A crise surge em meio à luta contra a pandemia, com o Peru tendo uma das piores taxas de mortalidade per capita do mundo e com o país caminhando para sua mais profunda recessão em um século. Antes da votação, os empresários pediram prudência e disseram que o impeachment teria um impacto negativo. O próprio Vizcarra alertou sobre o impacto econômico. 

 

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