Para entender: os blocos regionais da América do Sul

Países da região estão agrupados em vários grupos, como Mercosul, Unasul e, agora, o Prosul, cujo documento de criação foi assinado no Chile; saiba mais sobre as principais organizações da região

Murillo Ferrari, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2019 | 16h54

Desde 2015, com a eleição de governos de direita em vários países da América do Sul, a União de Nações sul-americanas (Unasul) perdeu relevância. 

Neste sentido, chefes de Estado e representantes de oito países se reuniram no Chile para a criação do que deve ser o Prosul (Foro para o Desenvolvimento e Progresso da América do Sul), com um discurso de forte tom econômico, desideologizado e sem mencionar a Venezuela.

Conheça mais sobre os principais blocos regionais da América do Sul:

Made with Flourish

- Mercosul

O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é uma iniciativa de integração surgida no contexto da redemocratização e reaproximação dos países da região ao final da década de 80. Os membros fundadores são Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, signatários do Tratado de Assunção de 1991.

A Venezuela aderiu ao Bloco em 2012, mas está suspensa, desde dezembro de 2016, por descumprimento de seu Protocolo de Adesão e, desde agosto de 2017, por violação da Cláusula Democrática do Bloco. Todos os demais países sul-americanos estão vinculados ao Mercosul como Estados Associados. A Bolívia, por sua vez, tem o “status” de Estado Associado em processo de adesão.

Segundo dados disponíveis na página brasileira do bloco, em conjunto o Mercosul seria a quinta maior economia do mundo, com PIB de US$ 2,79 trilhões. 

- Alba

A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba) foi fundada em 2004 por Venezuela e Cuba como Alternativa Bolivariana para as Américas.

A ideia era ser uma plataforma de cooperação com base na ideia da integração social, política e econômica entre os países da América Latina e do Caribe e contrária a acordos de comércio livre como a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), proposta de mercado comum defendida pelos EUA durante a década de 1990

Em agosto de 2018 o Equador se retirou da Alba em resposta à situação humanitária na Venezuela que resultou no êxodo histórico dos venezuelanos para outros países da região.

Made with Flourish

- Unasul

De acordo com o site do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, a criação da União de Nações sul-americanas (Unasul) em 2008 foi parte de um processo de superação da desconfiança que havia entre os países sul-americanos desde os movimentos de independência, no século 19. 

"Quando do estabelecimento da Unasul, os países da região passaram a articular-se em torno de áreas estruturantes, como energia e infraestrutura, e a coordenar posições políticas", diz a descrição do bloco feita pelo Itamaraty.

Congelado desde 2017, quando o então secretário-geral Ernesto Samper - ex-presidente da Colômbia - deixou o cargo, o organismo implodiu com a nova onda de direita que, a partir de 2015, ganhou eleições em quase todos os países da região.

- Celac

Criada em 2010, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) foi uma junção do Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América Latina e Caribe (CALC) e a Cúpula do Grupo do Rio, criado na década de 1980 como foro regional de concertação política.

A principal virtude da CELAC é reunir todos os 33 países latino-americanos e caribenhos, que não se encontravam juntos sem a presença de países de fora da região em outros mecanismos. Assim, a organização assume duas vocações: a cooperação para o desenvolvimento e a concertação política. 

- Aliança do Pacífico

A Aliança do Pacífico é um bloco comercial criado formalmente em 2012 no Chile durante a 4ª Cúpula da organização. Os membros-fundadores foram Chile, Colômbia, México e Peru. A Costa Rica incorporou-se ao grupo em 2013.

Além de seus países-membros, tem 19 países observadores: Austrália, Canadá, China, Coreia do Sul, El Salvador, Equador, Espanha, Estados Unidos, França, Guatemala, Honduras, Japão, Nova Zelândia, Paraguai, Portugal, Panamá, República Dominicana, Turquia e Uruguai.

Em 2018, os membros do bloco assinaram declaração e um plano de ação em conjunto com o Mercosul para impulsionar o livre-comércio e a integração.

- Prosul

Reunidos em Santiago em 22 de março de 2018, representantes de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai e Peru assinaram documento com proposta para a criação do Prosul (Foro para o Desenvolvimento e Progresso da América do Sul) que deve substituir a Unasul.

A ideia é que o fórum seja implementado gradualmente e tenha uma "estrutura flexível, leve, barata, com regras operacionais claras e um ágil mecanismo de tomada de decisão". Outro objetivo dos países fundadores é criar uma organização "sem ideologias".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.