Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

Para entender: Paraguai usa energia mais barata

Os paraguaios, que já pagam menos por megawatt/hora, costumam pedir energia extra, que vem da produção excedente, não inclui em seu custo o pagamento do empréstimo utilizado para construção da usina e, por isso, é tão mais barata

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 21h57
Atualizado 02 de agosto de 2019 | 09h05

Segundo dados de Itaipu Binacional, em 2018, o Paraguai, que é sócio do Brasil na usina, consumiu 1.717 MWmed (megawatts médios) da energia de Itaipu. Para 898 MWmed deste total, o Paraguai pagou US$ 43,80 por megawatt/hora. Para os demais 819 MWmed (47,7% do total), o valor pago por MWh foi de US$ 6.

Isso ocorre porque, pelo acordo firmado entre os dois países, o Paraguai define anualmente quanta energia quer da usina. Se precisar, o país pede mais ao longo do ano. Essa energia extra vem da energia excedente que não inclui em seu custo o pagamento do empréstimo utilizado para construção da usina. Por esse motivo, é tão mais barata.

Segundo fontes técnicas brasileiras, os paraguaios sabiam que suas estimativas para consumo de energia eram modestas, mas usavam do subterfúgio pagar o preço de energia excedente, e não contratada (mais cara).

Além disso, para viabilizar a construção da hidrelétrica, o Brasil se comprometeu a contratar a energia que o Paraguai não precisasse, pagando mais caro, pois contrata a energia garantida, com custo maior.

Com isso, o custo médio da energia para o Paraguai foi de US$ 26,16/MWh, enquanto o custo médio para o Brasil foi de US$ 41,45/MWh, segundo informações do relatório anual da empresa. Isso significou R$ 1,6 bilhão a mais para o consumidor brasileiro no ano passado – ou 1,2% a mais nas contas de luz, em média, segundo cálculos da Associação Brasileira de Grandes Consumidores (Abrace).

São os termos dessa compra de energia que o acordo fechado em maio propunha alterar. A intenção era aumentar a quantidade de energia garantida – mais cara – que vai para o Paraguai.

A ata bilateral assinada em maio trazia os termos de compra de energia pelo Paraguai até 2022. Foi a primeira vez que os vizinhos estabeleceram, com antecedência, essa compra. Até agora, a contratação era feita a cada ano.

Pela proposta acordada entre os dois países, o Paraguai se comprometeria a adquirir, neste ano, uma potência 9,6% maior do que a de 2019, e um nível 12% maior nos anos de 2020, 2021 e 2022.

A estimativa é que isso faria com que o Paraguai passasse a pagar ao menos cerca de US$ 200 milhões a mais por ano pela mesma energia.

Apesar de consumir menos de 20% da energia gerada por Itaipu, o Paraguai é muito dependente da hidrelétrica. Enquanto a energia gerada pela usina respondeu por 14,6% do mercado brasileiro em 2018, 90,7% da demanda paraguaia por energia é atendida por Itaipu.

Itaipu Binacional é, como o nome indica, de propriedade do Brasil e do Paraguai. Ela foi criada por um tratado de 1973, na fronteira entre os dois países, aos quais pertence em parcelas iguais.

A capacidade instalada da usina é de 14 mil MW – sendo metade para cada país. O empreendimento ainda está sendo financiado. Só será plenamente quitado em 2023. De acordo com dados da própria Itaipu Binacional, a construção custou US$ 17,6 bilhões.

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