Hosam Salem/NYT
Hosam Salem/NYT

Para Entender: Por que Gaza está quase sempre imersa em conflitos?

Enclave pequeno e empobrecido é lar de mais de 2 milhões de residentes palestinos

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2021 | 20h00

GAZA - A Faixa de Gaza sofreu esta semana centenas de ataques israelenses por mar, terra e ar, enquanto militantes do Hamas, grupo que domina a região, disparavam centenas de foguetes contra Israel. 

Empobrecida e densamente povoada, a pequena faixa é um alvo frequente nos conflitos, por sua vez muito comuns – este é o quarto grande confronto entre Israel e Hamas desde 2008.

Entenda os motivos:

Uma estreita faixa costeira

Gaza, imprensada entre Israel e Egito, tem apenas 40 km de comprimento e 10 km de largura. Fazia parte do Mandato da Palestina, governado pelos britânicos, antes da guerra de 1948, quando passou a ser controlada pelo Egito.

Um grande número de palestinos que fugiram ou foram expulsos do que hoje é Israel acabaram em Gaza, e os refugiados e seus descendentes agora somam 1,4 milhão, representando mais da metade da população local. Israel anexou Gaza, junto com Cisjordânia e Jerusalém oriental, na guerra de 1967.

Os palestinos querem que todos os três territórios formem seu futuro Estado. A primeira intifada palestina, ou levante, eclodiu em Gaza em 1987 - no mesmo ano em que o Hamas foi fundado - e depois se espalhou para outros territórios ocupados.

O processo de paz de Oslo na década de 1990 estabeleceu a Autoridade Palestina e deu-lhe autonomia limitada em Gaza e em partes da Cisjordânia ocupada.

Para Entender

As origens do conflito entre israelenses e palestinos

Conheça um pouco sobre a história do conflito entre israelenses e palestinos, cujo novo capítulo de confronto já deixou mortos de ambos os lados

A expansão do Hamas

Israel retirou suas tropas e assentamentos judeus de Gaza em 2005, após uma segunda intifada muito mais violenta. No ano seguinte, o Hamas obteve uma vitória esmagadora nas eleições palestinas.

Isso desencadeou uma luta pelo poder com o partido Fattah, do presidente palestino Mahmoud Abbas, culminando em uma semana de confrontos em 2007 que deixou o Hamas no controle de Gaza.

O Hamas fez pouco no sentido de impor a lei islâmica em Gaza, que já era muito conservadora. Mas não mostrou tolerância com a dissidência, prendendo oponentes políticos e suprimindo violentamente os raros protestos contra seu governo. O grupo militante se manteve firme no poder durante três guerras e um bloqueio de 14 anos.

O bloqueio

Israel e Egito impuseram um bloqueio paralisante após a vitória do Hamas. Israel diz que é necessário impedir o Hamas e outros grupos militantes de importar armas. Grupos de direitos humanos dizem que o bloqueio é uma forma de punição coletiva.

Os bloqueios, junto com anos de desgoverno e a rivalidade de longa data do Hamas com a Autoridade Palestina, devastaram a economia de Gaza. A taxa de desemprego ronda 50%, as falhas de energia são frequentes e a água da torneira está muito poluída. Os palestinos enfrentam fortes restrições de movimento, que tornam difícil viajar para o exterior para trabalhar, estudar ou visitar a família, e muitas vezes se referem a Gaza como a maior prisão a céu aberto do mundo.

As guerras

O Hamas e Israel travaram três guerras e várias batalhas menores. O pior confronto até agora foi a guerra de 2014, que durou 50 dias e matou cerca de 2.200 palestinos, mais da metade deles civis. Setenta e três pessoas foram mortas no lado israelense.

Os ataques aéreos e incursões de Israel em Gaza deixaram vastas faixas de destruição, com bairros inteiros reduzidos a escombros e milhares sendo forçados a se abrigar em escolas da ONU e outras instalações.

Israel afirma que faz todos os esforços para evitar baixas civis e acusa o Hamas de usar os habitantes de Gaza como escudos humanos.

No início deste ano, o Tribunal Penal Internacional lançou uma investigação sobre possíveis crimes de guerra nos territórios palestinos.

Espera-se que examine as ações de militantes israelenses e palestinos na guerra de 2014. O TPI também expressou preocupação com os últimos episódios de violência. /AP

 

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