REUTERS/George Frey
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Para Entender: Tratamento de Trump com coquetel experimental não menciona cloroquina

Em maio, presidente disse que estava tomando diariamente a hidroxicloroquina; saiba mais sobre o coquetel de anticorpos da Regeneron que está sendo ministrado no tratamento do presidente americano

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 22h57

Após ser diagnosticado com covid-19, o presidente Donald Trump recebeu uma dose de um coquetel de anticorpos experimental que é desenvolvido pela farmacêutica Regeneron. O medicamento da Regeneron, REGN-COV2, faz parte de uma classe de medicamentos experimentais para covid-19 conhecidos como anticorpos monoclonais: cópias fabricadas de anticorpos humanos para o vírus que estão sendo estudados para uso em pacientes precoces da doença.

Até agora, não foi feita nenhuma menção à hidroxicloroquina no tratamento de Trump. O presidente afirmou em maio que estava tomando diariamente esse medicamento preventivamente. A hidroxicloroquina é um medicamento antimalária que divide os especialistas médicos sobre sua eficácia no combate à infecção pelo novo coronavírus.

Ensaios clínicos, pesquisas acadêmicas e análises científicas indicam que o perigo da droga é um risco significativamente alto de morte para certos pacientes, principalmente aqueles com problemas cardíacos. Trump afastou essas preocupações, dizendo que ouviu falar dos benefícios da droga por parte de médicos e outras pessoas com quem conversou.

Os médicos de Trump “devem estar suficientemente preocupados com o que estão vendo para decidirem usar um medicamento experimental...drogas experimentais são, por definição, arriscadas”, disse Edward Jones-Lopez, médico especialista em doenças infecciosas da Keck School of Medicine da Universidade do Sul da Califórnia. Os anticorpos são proteínas produzidas pelo sistema imunológico que se ligam e neutralizam um vírus invasor.

O coquetel da Regeneron - que contém um anticorpo fabricado pela empresa e um segundo isolado de humanos que se recuperaram da covid-19 - é projetado para que seus dois anticorpos se liguem à proteína spike do coronavírus, limitando a capacidade de escape dos vírus. “O problema é que não temos bons tratamentos para pessoas com sintomas leves de covid-19. Eu imagino que eles estejam fazendo isso porque esperam que seja um risco relativamente baixo”, disse Rajesh Gandhi, um médico infectologista do Hospital Geral de Boston.  

Os dados até agora são limitados para anticorpos para a covid-19, mas o chefe da força-tarefa da Casa Branca para gerenciar a pandemia, Anthony Fauci, está entre aqueles que afirmam que a tecnologia é promissora.

Nesta semana, a Regeneron relatou resultados de testes que mostravam que o medicamento havia melhorado os sintomas em pacientes com covid-19 que não haviam sido hospitalizados, sem efeitos colaterais graves, e disse que planejava ter conversas com a FDA (agência reguladora de medicamentos) sobre uma autorização de uso de emergência.

As ações da Regeneron subiram cerca de 3% após o anúncio de que Trump recebeu o medicamento. 

A Eli Lilly & Co também anunciou resultados iniciais encorajadores de um teste de seu anticorpo contra o coronavírus e disse buscar uma autorização de emergência do FDA.

Trump também está tomando o remédio para azia famotidina - frequentemente vendido nos EUA sob a marca Pepcid. Embora a droga não tenha demonstrado funcionar contra a covid-19, os pesquisadores estão estudando-a como um possível tratamento. Acredita-se que o zinco e a vitamina D estimulem o sistema imunológico.

A melatonina é um hormônio que ajuda a regular os ritmos corporais diários. Trump disse no passado que toma uma aspirina em baixas doses diariamente, que é recomendada para alguns adultos com risco aumentado de ataque cardíaco ou derrame.

Apesar de não haver nenhuma comprovação científica da eficácia do uso da hidroxicloroquina no tratamento e prevenção da Covid-19, o presidente norte-americano afirmou ter feito uso profilático da substância para tentar evitar a doença. /COM REUTERS 

 

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