Para especialista, enterrar usina japonesa é mais difícil que em Chernobyl

Logística seria 'desafio' para operadora de Fukushima; opção foi usada após acidente na Ucrânia

Reuters

14 de abril de 2011 | 10h28

Cobrir com concreto os reatores da usina nuclear japonesa de Fukushima representaria um desafio muito maior do que em Chernobyl, segundo o executivo de uma empresa cujas bombas estão ajudando os esforços de resfriamento no local.

 

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"Em Chernobyl, onde um único reator foi coberto, 11 caminhões foram usados durante meses. Em Fukushima estamos falando de quatro reatores", disse Gerald Karch, executivo-chefe de assuntos técnicos da fabricante de equipamento Putzmeister, em entrevista à Reuters.

Ele afirmou que, embora nenhuma decisão tenha sido tomada no Japão, cobrir os reatores com caixas enormes de concreto seria a solução mais sensata assim que a usina danificada for resfriada.

"Em minha opinião, uma vez que um sistema de resfriamento de circuito fechado tenha sido desenvolvido e instalado com sucesso, não haverá opção além de encaixotar os reatores em concreto", disse ele.

Karch acrescentou, entretanto, que a logística de tal operação -- levar todos os caminhões necessários ao local, por exemplo -- representaria um grande desafio para a operadora da usina, a Tokyo Electric Power Co (Tepco).

Na terça-feira, 12, autoridades japoneses igualaram a gravidade da calamidade nuclear de Fukushima com o desastre de Chernobyl em 1986, depois que novos dados mostraram que vazou mais radiação da usina nos primeiros dias da crise do que se imaginou a princípio.

"Sim, há certas semelhanças entre os dois eventos, mas ao mesmo tempo acho que não podemos fazer comparações", disse Karch. "Ainda existe uma grande chance de estabilizar a situação (em Fukushima)."

O desastre nuclear de Chernobyl resultou de uma única explosão, afirmou. Em contraste com o Japão, isso significa que os reatores não tiveram que ser resfriados e puderam ser envoltos em concreto logo após a explosão.

A Putzmeister, que fabrica gigantescos guindastes montados em caminhões com gruas de até 70 metros de comprimento, enviou 11 veículos depois que a explosão seguida de incêndio no reator nuclear da atual Ucrânia disseminou enormes quantidades de radioatividade na atmosfera em 1986.

Passados quase exatos 25 anos, a Putzmeister, que significa "Mestre do Reboco", auxilia os esforços no Japão fornecendo equipamentos para bombear milhões de litros de água sobre os reatores aquecidos, danificados pelo terremoto de magnitude 9,0 e o tsunami que atingiram a região em 11 de março.

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