Para EUA, cancelamento de visita é um alívio

Segundo congressista, viagem daria a Ahmadinejad uma plataforma para ''destilar seu ódio''

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

05 de maio de 2009 | 00h00

O cancelamento da visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil foi recebido com alívio nos EUA. "A relação Brasil-EUA é boa e vai se tornar mais próxima no futuro. Estou contente que não há mais a distração de uma visita de Ahmadinejad ao Brasil para atrapalhar essa relação", disse ao Estado o democrata Eliot Engel, presidente do subcomitê de Hemisfério Ocidental no Congresso americano e copresidente do Brasil caucus. Engel é o nome mais poderoso na Câmara americana para assuntos da região. Ele tinha dito que a visita de Ahmadinejad era "vergonhosa" e enviava "uma mensagem errada" à região."A visita ao Brasil teria dado a Ahmadinejad mais uma plataforma para ele destilar seu ódio", disse Engel, que se estava preparando para participar hoje da reunião anual da Aipac,o influente lobby israelense nos EUA. Uma das principais resoluções de hoje na reunião da Aipac será o pedido de mais sanções contra o Irã. "Nenhuma nação de bem deveria permitir uma visita de alguém como Ahmadinejad."Peter Hakim, presidente do centro de estudos Diálogo Interamericano, diz que o cancelamento da visita evitará dores de cabeça para o Brasil. "Se Honduras ou Venezuela recebem Ahmadinejad e apoiam o Irã, ninguém se importa", diz Hakim. "Mas ao apoiar o Irã e especialmente Ahmadinejad, o Brasil acaba legitimando as violações do país às resoluções da ONU e suas posições antissemitas - esse é o preço que o Brasil paga ao se tornar mais influente no mundo." Segundo Hakim, o Itamaraty estava buscando uma política de "equidistância" de Europa, EUA e países como Irã e Venezuela. "Mas essa política tem limitações, especialmente no caso do Irã". O Departamento de Estado americano disse esperar que o Brasil mantenha seu papel construtivo no relacionamento com o Irã. "Esperamos que o Brasil tenha um papel positivo de encorajar o Irã a não perder a oportunidade de recuperar a confiança internacional, ao cumprir seus compromissos internacionais", disse ao Estado uma fonte do Departamento de Estado.PROTESTOSO plano da visita de Ahmadinejad ao Brasil vinha causando uma série de protestos promovidas por entidades da comunidade judaica, igrejas evangélicas e grupos de defesa de direitos dos homossexuais. O presidente iraniano defende a destruição do Estado de Israel e a pena de morte para os homossexuais. "Como judeu, eu só posso me sentir aliviado", disse ao Estado o rabino paulista Henry Sobel. "A comunidade judaica sentiu-se insultada com o convite a esse cidadão que promove o preconceito em lugar da verdade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, certamente, não sentirá falta de Ahmadinejad."

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