Para EUA, Irã viola sanções pelo Brasil

O governo dos Estados Unidos pediu a colaboração do Brasil na investigação de transações em nome de empresas e cidadãos iranianos que poderiam ter usado o sistema financeiro brasileiro para driblar sanções americanas e europeias. A informação foi passada à reportagem por diplomatas americanos que pediram anonimato.

AE, Agência Estado

13 de julho de 2011 | 07h58

Um telegrama publicado pelo site WikiLeaks mostra que, em 2010, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ligado ao Ministério da Fazenda, foi acionado pelos americanos por causa de quatro empresas iranianas ligadas à Guarda Revolucionária. Elas seriam suspeitas de ser o braço financeiro de atividades terroristas. O principal alvo das medidas é o general Rostam Qasemi e as quatro empresas de construção que ele comandava.

Todas são companhias ligadas à Khatam Al-Anbiya, empresa acusada pelos americanos de estar envolvida na fabricação de armas no Irã e de ser um canal de distribuição de recursos a atividades terroristas. Para o Tesouro americano, a empresa serve de meio de comunicação da Guarda Revolucionária com outros países e indivíduos fora do Irã.

Washington entregou uma lista de suspeitos ao governo brasileiro na esperança de obter informações sobre eventuais movimentações financeiras dessas empresas no Brasil ou com companhias nacionais. O pedido americano foi feito diretamente ao Coaf, sem passar pelo Itamaraty. O Coaf disse à reportagem que não se manifestaria sobre um caso específico, para não ferir o sigilo bancário dos envolvidos.

Washington e Bruxelas usam sanções para convencer o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, a desistir de seu programa nuclear e cortar seu financiamento. Membros e empresas ligadas à Guarda Revolucionária Iraniana, considerada a base de poder de Ahmadinejad, são alvos das sanções. O Brasil não é obrigado a seguir sanções impostas unilateralmente pelos EUA, nem mesmo a colaborar com as investigações. Mas empresas ou bancos brasileiros que tenham negócios com os alvos dessas medidas podem sofrer retaliações comerciais nos EUA. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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