Para EUA, Putin colocou credibilidade em risco com proposta sobre Síria

Casa Branca afirma que a obtenção de um acordo será uma conquista da comunidade internacional

Cláudia Trevisan, correspondente em Washington,

12 Setembro 2013 | 20h10

WASHINGTON - O presidente Vladimir Putin colocou seu prestígio e credibilidade em risco ao apresentar a proposta de desmantelamento do arsenal de armas químicas da Síria e a eventual obtenção de um acordo nesse sentido será uma conquista "significativa" da comunidade internacional e da Rússia, disse nesta quinta-feira, 12, o Secretário de Imprensa da Casa Branca, Jay Carney.

Na condição de principal aliada e "patrono" do governo sírio, a Rússia terá um papel fundamental na busca da saída negociada para a crise, observou Carney. De acordo com ele, a questão está sendo tratada de maneira concomitante entre Estados Unidos e Rússia em Genebra e pelos cinco membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York - os outros três são Grã-Bretanha, França e China.

"Obviamente, a Rússia desempenhou uma enorme papel na mudança da maneira como a Síria lida com a questão de armas químicas", declarou Carney, em briefing regular com a imprensa.

O presidente Barack Obama disse nesta manhã que estava "esperançoso" na obtenção de "resultados concretos" nas discussões que começaram em Genebra entre o secretário de Estado, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. "Eu sei que ele (Kerry) vai trabalhar arduamente nos próximos dias para ver quais são as possibilidades existentes", observou.

Segundo Carney, os Estados Unidos continuarão a dar apoio "político e militar" à oposição moderada ao regime de Bashar Assad, apontado por Washington como responsável pelo ataque com armas químicas na periferia de Damasco no dia 21. "Esses são trilhos distintos", declarou, em referência à negociação diplomática e ao fornecimento de ajuda a grupos rebeldes. Reportagem publicada pelo Washington Post relatou que a CIA começou a entregar armas leves e munição à oposição moderada na Síria nas duas últimas semanas.

Carney afirmou que não podia confirmar - nem negar - a informação, mas lembrou que a política de apoio a certos grupos rebeldes foi anunciada pelo presidente Barack Obama em junho.

 
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