Wael Hamzeh/EFE
Wael Hamzeh/EFE

Para evitar especulação, Líbano fixa preço máximo para alumínio e vidro após explosão

Tragédia destruiu bairros inteiros de Beirute, com um balanço de pelo menos 177 mortos e 6,5 mil feridos; enviado dos EUA pede investigação transparente

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2020 | 15h46

BEIRUTE - O governo interino do Líbano fixou neste sábado, 15, um valor máximo de venda para o consumidor de produtos como alumínio e vidro, para evitar a especulação com bens que serão necessários para a reconstrução de parte de Beirute, após as explosões ocorridas na zona portuária da cidade.

A medida foi tomada em conjunto pelo ministro interino da Economia e Comércio, Raoul Nehme, e pelo ministro interino da Indústria, Emad Haballah, segundo comunicado. A tragédia destruiu bairros inteiros de Beirute, com um balanço de pelo menos 177 mortos e 6.500 feridos.

"Busca proteger os interesses dos cidadãos e evitar que alguns explorem a necessidade dos afetados, de restaurar as habitações e seus bens, após o lamentável incidente no porto de Beirute", diz o texto divulgado pelo Ministério da Economia e Comércio.

O preço fixado vale para venda e instalação de um metro quadrado de alumínio e vidro, "incluindo despesas, taxas e impostos".

O decreto ainda indica que é proibido anunciar valores diferentes para o mesmo produto, obrigar que o consumidor pague em dinheiro ou se negar a cobrar o preço em libras libanesas.

Atualmente, o Líbano tem economia altamente dolarizada, diante da desvalorização da moeda local, o que leva à especulação no mercado paralelo e à grande parte do comércio local só trabalhar com o dólar dos Estados Unidos.

A explosão ocorrida no porto de Beirute, de quase 3 mil toneladas de nitrato de amônio, afetou 601 prédios históricos da capital, além de residências e outras edificações. 

EUA pedem investigação transparente

Em visita ao porto de Beirute, o número três da diplomacia americana, David Hale, pediu neste sábado uma investigação "transparente" sobre o incidente. A investigação terá o auxílio de funcionários do FBI (Polícia Federal dos EUA), convidados pelas autoridades libanesas.

"Não podemos recuar e voltar a uma época em que qualquer coisa poderia entrar pelo porto ou atravessar as fronteiras do Líbano", destacou, em uma entrevista coletiva. 

As autoridades estavam a par, havia anos, da presença das toneladas de nitrato de amônio, como admitiram algumas delas e fontes das forças de segurança.

O governo e a classe política do Líbano rejeitam uma investigação internacional, apesar dos pedidos no país e no exterior que defendem a medida. Ao mesmo tempo, a justiça da França abriu uma investigação: dois franceses morreram na tragédia.

O poderoso e influente movimento xiita libanês Hezbollah é acusado com frequência de ter suas entradas no porto de Beirute e administrar uma rede de contrabando na fronteira com a Síria, país vizinho que está em guerra.

Para Entender

Explosão em Beirute: o que se sabe e o que falta saber

Governo diz que curto-circuito causou incêndio e explosão que deixaram 100 mortos e 4 mil feridos

Após a explosão, algumas pessoas acusaram o Hezbollah, considerado uma "organização terrorista" pelo governo dos EUA, de armazenar armas no porto, algo que o líder do movimento, Hassan Nasrallah, negou com veemência.

Hale pediu neste sábado às autoridades que retomem o controle da situação. O FBI se unirá a outros especialistas internacionais que já estão no país, alguns deles procedentes da França./ EFE e AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.