Para evitar peregrinação, vice de Hitler é exumado e cremado

Depois de quase 24 anos, túmulo de Rudolf Hess é destruído e suas cinzas são jogadas no mar para inibir neonazistas

AP e Reuters, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2011 | 00h00

Depois de quase 24 anos, autoridades alemãs exumaram o corpo do vice de Adolf Hitler, Rudolf Hess, cremaram e atiraram as cinzas no mar para acabar com a peregrinação de neonazistas. O túmulo que guardava o corpo de Hess no cemitério de Wunsiedel, sul da Alemanha, foi destruído, incluindo a lápide com o epitáfio "Eu ousei".

Hess foi capturado em 1941 quando desceu de paraquedas na Escócia em uma missão de paz não autorizada. A tentativa foi condenada por Hitler. Hess passou a ser visto como um mártir pela extrema-direita e milhares de neonazistas usam seu aniversário como ocasião para realizar grandes manifestações. Wunsiedel, perto da fronteira com a República Checa, era o centro dos encontros.

Uma ordem da Justiça alemã proíbe desde 2005 essas manifestações, mas a medida não foi obedecida. Com a proximidade da renovação do aluguel da sepultura, a igreja local e a família concordaram em retirar os restos do nazista do local.

Em 2004, mais de 5 mil pessoas de várias partes da Europa foram ao cemitério. "Agora, esperamos deixar tudo isso para trás", disse o vice-prefeito Roland Schoeffel.

Sobreviventes do Holocausto saudaram a decisão. "É um lugar maldito a menos no mundo", disse Elan Steinberg, da Associação Americana de Sobreviventes do Holocausto e seus Descendentes, com sede em Nova York.

Confidente. Enquanto Hitler esteve preso na década de 20, o líder nazista ditou para Hess, seu confidente, a maior parte de seu manifesto Mein Kampf (Minha Luta).

Durante os julgamentos de Nuremberg, Hess foi inocentado das acusações de crimes de guerra e contra a humanidade, mas foi condenado à prisão perpétua por crimes contra a paz e conspiração.

Ele passou 40 anos no presídio de Spandau, na então Berlim Oriental, quando morreu em 1987, com 93 anos. Hess foi encontrado enforcado em sua cela em Spandau.

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