Para Evo, há sobra de liberdade de expressão na América Latina

Líder boliviano discursou em encontro de esquerda em São Paulo

Ricardo Chapola e Guilherne Walterberg,

04 de agosto de 2013 | 19h42

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou neste domingo, 4, em São Paulo, que "sobra" liberdade de expressão na América Latina, e os alvos de pressão devem ser as empresas jornalísticas – e não os governos latino-americanos. Evo discursou em um hotel da capital no fechamento do 19.º Foro de São Paulo, que reuniu militantes de esquerda de vários países da América Latina.

Questionado sobre o cerceamento da atividade jornalística em países da região, o presidente boliviano afirmou que "sobra liberdade de expressão". Em seguida, completou: "Mas os jornalistas devem pedir liberdade de expressão para os veículos. É a eles (donos dos veículos) que eles devem pedir liberdade de expressão, não aos governos".

Evo disse ainda que, na Bolívia, ele é frequentemente atacado por jornais, que o teriam chamado de "filho de lhama" e "macaco". "Lá, os veículos nos insultam, nos humilham. Mas nós aguentamos", disse.

Assim como Venezuela, Equador e outros países do bloco bolivariano, a Bolívia vem sendo acusada por jornalistas locais e entidades internacionais de defesa de liberdade de expressão de violar direitos de repórteres e editores de notícia.

'Anti-imperialista’. Em sua passagem pelo Brasil, Evo anunciou ter proposto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criação de comissões para auxiliar os governos da América Latina na defesa de políticas de estatização de empresas, chamadas pelo líder boliviano de "ações anti-imperialistas".

"Temos de começar a organizar esses conselhos econômicos e jurídicos com companheiros especialistas em temas internacionais, que podem nos ajudar a lidar com os processos causados porque nacionalizamos os serviços básicos, recursos naturais ou de telecomunicações", disse.

Em 2006, o governo de Evo nacionalizou parte da indústria de gás da Bolívia e ocupou, com as Forças Armadas, instalações da brasileira Petrobrás. Outras gigantes do setor, como a Repsol e a British Petroleum (BP), também foram atingidas.

Evo reclamou que os Estados que nacionalizam empresas sempre saem prejudicados quando as disputas são levadas a tribunais internacionais. "(As empresas internacionais) me pedem segurança jurídica e política. Para mim, o mais importante é a segurança da pátria e do povo", afirmou.

Em cerca de 40 minutos, Evo criticou várias vezes a política tradicional e os partidos que "se dizem de esquerda", mas não agem de acordo com a cartilha socialista. O presidente boliviano também atacou a Aliança do Pacífico, recém-criado bloco econômico que reúne México, Colômbia, Peru, Chile e Costa Rica. "O principio deles é a liberalização de mercados e serviços."

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