Para ex-ministros, Blair exagerou ameaça de Saddam

Uma comissão parlamentar que investiga a decisão da Grã-Bretanha de ir à guerra contra o Iraque iniciou seus trabalhos ouvindo dois ex-ministros do governo - e agora críticos do primeiro-ministro Tony Blair -, que acusaram altas autoridades de terem manipulado informações de espionagem sobre armas de destruição em massa, a fim de fortalecer a causa da guerra. O ex-líder da Câmara dos Comuns, Robin Cook, disse à comissão que o governo "usou a inteligência (informação produzida pelos serviços secretos) para justificar uma política que já havia sido decidida".Clare Short, a ex-secretária de Desenvolvimento Internacional, afirmou que Blair havia se "comprometido previamente" com o conflito meses antes de seu início, mesmo quando as Nações Unidas trabalhavam para resolver a crise pacificamente. "Acho que o primeiro-ministro havia dito ao presidente Bush, ´Estaremos com você´ ", avaliou Short.Cook e Short, que renunciaram a seus cargos em protesto contra a posição belicista de Blair, consideram que o governo exagerou a ameaça representada pelas supostas armas químicas, biológicas e nucleares de Saddam Hussein.Blair tem rejeitado pedidos de uma ampla investigação pública, mas duas comissões parlamentares estão estudando como a inteligência foi usada. O primeiro-ministro tem dito que não existe "uma gota de verdade" nas acusações de que o governo manipulou evidências.

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