Para FAO, 20 anos de decisões ruins geraram crise dos alimentos

As fracas decisões políticas tomadas nasúltimas duas décadas resultaram na atual crise dos alimentos e,agora, os esforços devem ser direcionados às colheitas de 2008,afirmou nesta quarta-feira o diretor-geral da Organização dasNações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A ONU alertou que milhões de pessoas são ameaçadas pelafome no mundo por causa da recente alta nos preços dosalimentos, mas o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, disse quehá soluções. "Isto não é uma tragédia grega, na qual o destino édecidido pelos deuses e os humanos não podem fazer nada arespeito. Não, nós temos a habilidade de influenciar nossofuturo", disse ele em uma coletiva de imprensa. "É bom que as instituições internacionais... estejamajudando os pobres a ter acesso à comida, mas, do nosso lado,precisamos lutar a batalha mais importante hoje, que é garantirque a temporada de colheitas de 2008 seja um sucesso",acrescentou. Entre os fatores responsáveis pela alta dos preços, estão ademanda crescente de países como a China, o uso das safras paraa produção de biocombustíveis, a especulação do mercado e aqueda constante nos preços das ações. Combinados, estes fatores teriam provocado os recordes depreços de produtos como trigo, milho e arroz. "Acima de tudo, não investimos no gerenciamento dosrecursos hídricos em diferentes países do terceiro mundo... NaÁfrica, somente 7 por cento da terra é arável", disse Diouf. A FAO prevê um aumento de 2,6 por cento na produção decereais neste ano. Para Diouf, esse número poderia aumentar de formasignificativa nos próximos anos caso as grandes nações invistamem agricultura e auxílios agrícolas.

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