'Para fazer reformas na Ucrânia, temos de nocautear o sistema'

Boxeador campeão mundial, Vitali Klitschko virou um dos líderes do partido ucraniano Udar - "soco" na língua local - e dos protestos pela deposição do governo de Viktor Yanukovich. A seguir, ele explica por que desafiou o presidente a encará-lo no "ringue da política".

Entrevista com

HARRIET SALEM , FOREIGN POLICY, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2013 | 02h06

Por que este protesto é importante para a Ucrânia?

As pessoas nessa praça compreendem que têm o poder em suas mãos e a oportunidade de mudar a situação em nosso país. Nosso país é muito jovem e esse é um passo muito importante, com cada cidadão consciente de que seu futuro depende justamente dele.

Qual é o papel da Europa nessa onda de protestos?

A Ucrânia é a Europa, geográfica e historicamente. Elas têm a mesma mentalidade. Mas estamos muito aquém em termos de nossos padrões de vida. Assim, a Europa é um bom exemplo para nosso país: de democracia, direitos humanos e economia. Agora estamos diante de uma decisão entre mudar ou ser destruído.

O número de manifestantes nas ruas está diminuindo. Qual é a estratégia agora?

Para fazer reformas de verdade, precisamos nocautear o sistema todo. Isso só será possível com eleições presidenciais e parlamentares. O governo é responsável por destruir a integração europeia e por essa profunda crise na Ucrânia. Por isso, precisam sair.

Mas não parece provável que o governo renuncie. Qual é a próxima jogada da oposição?

Permaneceremos aqui (na praça). Continuaremos pressionando. Quase 90% das pessoas dizem que a Ucrânia está indo na direção errada. É uma indicação muito clara de que elas não acreditam mais em nosso governo.

O que as habilidades de sua carreira de boxeador estão trazendo para esta luta?

Disciplina. É preciso ver o objetivo e trabalhar incansavelmente para ele, jamais desistir.

Qual a luta mais suja, a política ucraniana ou o boxe?

A resposta a isso é clara. No boxe, temos regras a seguir e, quando as quebramos, somos imediatamente desclassificados. Não é assim na política ucraniana. Aqui se pode lutar também, mas não há regras no jogo. Nosso objetivo agora é trazer essas regras para a política e para a economia, para permitir uma luta limpa. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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