Para Fidel, não há revolução em marcha na América Latina

O presidente cubano, Fidel Castro, disse que observa um avanço das foraças "populares e progressistas" na América Latina com os triunfos de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil e Lucio Gutiérrez no Equador, mas descartou que isto represente uma "revolução" na região. No caso de Lula e Gutiérrez se saírem vitoriosos no segundo turno das eleições em seus respectivos países, eles se verão "manietados" pelas políticas econômicas "inventadas", disse o líder cubano. Lula, fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) e ex-dirigente do poderoso sindicato dos metalúrgicos de São Paulo, é o grande favorito para vencer no segundo turno de domingo, segundo as pesquisas de intenção de voto.Gutiérrez, identificado com socialistas e indígenas, obteve um surpreendente primeiro lugar nas eleições gerais de domingo no Equador, com 20% dos votos. Deverá ir para o segundo turno contra o magnata Alvaro Noboa, que obteve 17% dos sufrágios.Fidel falou durante um discurso com o qual inaugurou o primeiro curso de capacitação para trabalhadores do setor açucareiro, desempregados devido ao fechamento de dezenas de engenhos. Aproveitou a tribuna para repetir que a América Latina vive uma "situação explosiva", com uma dívida externa impagável. Cada vez que pode, Fidel arremete contra o modelo de livre mercado adotado na região. "Agora chegam notícias do Equador, (onde) também um dirigente considerado radical, de origem militar, ao qual atribuíam (o fato de) ser grande simpatizante de (o presidente venezuelano Hugo) Chávez, ficou em primeiro lugar no primeiro turno das eleições", disse. "Esses fenômenos não se viam", disse Fidel, mas advertiu, em seguida: "Não vão acreditar que isto significa uma revolução". "Significa - acrescentou - o acesso a posições de poder de forças populares e progressistas que irão de encontro a economias tão manietadas e dependentes de todas essas fórmulas inventadas", referindo-se aos acordos a que os países latino-americanos chegaram com instituições de crédito e organismos financeiros internacionais. "Não será fácil (fazer mudanças)", destacou. "Não se pode esperar revolução ou mudanças radicais". Lula pode estar dando razão a Castro: o veterano lutador sindical prometeu honrar todos os compromissos internacionais do Brasil.Fidel advertiu que "começarão as lutas.. (e) nessa luta pela mudança na ordem econômica haverá também muitos cidadãos nos países desenvolvidos e muitos cidadão americanos que se organizarão através da Internet" para favorecer tal corrente.

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