Para Fidel, Raúl foi mal interpretado por Obama

O líder cubano Fidel Castro dificultou as tentativas de reaproximação de Cuba com os EUA ao afirmar em um artigo publicado ontem que o presidente americano, Barack Obama, interpretou de maneira incorreta declarações supostamente conciliatórias feitas por Raúl Castro na semana passada. Fidel também deu a entender que Cuba não fará concessões para pôr fim ao embargo econômico imposto à ilha há quase 50 anos e criticou Obama por não levantar a restrição."Não há dúvidas de que o presidente não soube interpretar a declaração de Raúl", escreveu Fidel, referindo-se aos comentários feitos na quinta-feira pelo presidente cubano de que Havana estaria preparada para discutir "todos os temas" com Washington, entre eles questões polêmicas como os presos políticos e os direitos humanos.As palavras de Raúl foram recebidas nos EUA como um sinal de esperança de que as relações entre os dois países poderiam melhorar. No encerramento da 5ª Cúpula das Américas, realizada no fim de semana em Trinidad e Tobago, Obama disse que as declarações de Raúl eram um "avanço" e pediu a Cuba que liberte seus presos políticos. No entanto, segundo Fidel, o comentário de seu irmão foi uma "mostra de valentia e confiança nos princípios da revolução".REAÇÃO AMERICANAA secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse ontem que as diferenças de opinião entre Fidel e Raúl são o exemplo do início de um debate que buscará definir o futuro das relações entre Havana e Washington.Em depoimento à Comissão de Relações Exteriores da Câmara, ela afirmou que as contradições entre os dois líderes são sinais de que o regime castrista está próximo do fim.

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