Para França, disputa nuclear iraniana é disfarce para programa bélico

O ministro de exterior da França, Philippe Douste-Blazy afirmou nesta quinta-feira que as atividades nucleares do Irã são um disfarce para um programa bélico clandestino. A afirmação foi o ataque mais direto da França à Teerã na disputa internacional.O ousado depoimento de Douste-Blazy pareceu refletir uma posição mais rígida que a mantida por negociadores europeus anteriormente, em seus esforços para persuadir o Irã a suspender suas atividades nucleares."Nenhum programa nuclear civil pode explicar o programa nuclear iraniano. É um programa militar clandestino", disse Douste-Blazy ao canal de televisão France-2. "A comunidade internacional enviou uma mensagem firme pedindo que os iranianos voltem à razão e suspendam todas as atividades nucleares, o enriquecimento e a conversão de urânio, mas eles não estão nos ouvindo", atacou.O Ministério do Exterior da França apontou que os comentários de Douste-Blazy estão em consonância com a posição da União Européia. "A França divide as preocupações com seus parceiros europeus", afirmou a porta-voz Agnes Romatet-Espagne. Em resposta às afirmações do ministro francês, o chefe de negociações iraniano, Ali Larijani, negou a acusação, insistindo que o Irã não quer ter a bomba e sim energia nuclear civil.Em um discurso de Teerã à rádio France-Inter, ele afirmou que em relação à armas nucleares, o Irã é um país responsável e que eles querem estar entre os grupos de nações que têm essa tecnologia mas não possuem armas nucleares, citando os exemplos do Brasil e do Japão.Enquanto o discurso dos Estados Unidos têm sido mais firme, líderes europeus foram mais cautelosos. França, Inglaterra e Alemanha estiveram à frente de negociações, que falharam em convencer o Irã a suspender seu programa nuclear. A Europa e os Estados Unidos temem que o Irã esteja usando seu programa de energia nuclear para construir armas e o Conselho de Segurança da ONU discutirá o programa nuclear do país em sua próxima reunião.O grande teste será na semana que vem, nas negociações para a mudança do programa de enriquecimento de urânio para a Rússia, o que apaziguaria os temores que o Irã use sua tecnologia para fins militares.

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