Sergei Karpukhin|Reuters
Sergei Karpukhin|Reuters

Para Gorbachev, Fidel “fortaleceu” Cuba

Moscou havia sido central na condução da política cubana até a desintegração da União Soviética e do fim da Guerra Fria

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2016 | 07h23

GENEBRA – Fidel Castro “fortaleceu” seu país e enfrentou uma “pressão colossal”. Quem afirma isso é o ex-líder soviético, Mikhail Gorbachev, em uma mensagem diante da notícia da morte do ex-presidente cubano. Moscou havia sido central na condução da política cubana até a desintegração da União Soviética e do fim da Guerra Fria.

“Fidel enfrentou e fortaleceu seu país durante o momento mais duro do bloqueio americano, quando existia uma pressão colossal sobre ele e ele ainda assim conduziu seu país para superar o bloqueio, por um caminho de um desenvolvimento independente”, declarou.

Em 2013, em entrevista exclusiva ao Estado e antes da normalização das relações entre Barack Obama e o regime cubano, Gorbachev alertava que uma normalização das relações entre Cuba e EUA dependeria muito mais da Casa Branca do que de Havana.

“Só o tempo dirá qual o futuro de Cuba”, disse. “Sempre foi minha posição de que não podemos dar aulas para, por exemplo, a China sobre o que deve ser feito. É um país com uma longa história e que contribuiu muito para a humanidade. A China terá de lidar com os mesmos problemas que nós na Rússia enfrentamos em nossa transição”, indicou.

“Em Cuba, eles são cabeças-duras”, brincou. “É um país com uma posição na comunidade internacional e é respeitado. E se alguém tentar ditar ou colocar demandas injustas sobre Cuba, não vai funcionar. Vamos olhar e ver o que ocorre. Fidel Castro é muito influente ainda em Cuba e acho que haverá mudanças, mas cabe a eles decidirem e Cuba tem muitos amigos ainda. Espero que normalizem suas relações com os EUA”, afirmou.

“Mas isso depende mais dos EUA que de Cuba. Muitos problemas que vemos la são problemas ainda herdados da Guerra Fria e dos erros que foram feitos lá. Ainda não os superamos completamente”, completou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.