Para governo brasileiro, massacre na Síria é inaceitável

O uso de armamento pesado contra civis, conforme as suspeitas que recaem sobre o regime comandado por Bashar Al Assad, tornou a violência no País ainda mais "condenável e inaceitável", nas palavras do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Tovar Nunes. A dura nota divulgada no fim da semana pelo Itamaraty representa um aumento na preocupação do governo com os desdobramentos da crise que engolfa a Síria desde março do ano passado.

IURI DANTAS, Agência Estado

14 de julho de 2012 | 15h01

Ou seja, a mudança de tom do governo brasileiro se deve à escalada do conflito, principalmente à decisão de Assad de lançar mão de armamento militar contra civis. As suspeitas têm como base a morte de 200 pessoas na vila de Tremseh, bombardeadas pelas Forças Armadas sírias. O suposto massacre ocorreu na vila próxima à cidade de Hama, elevando para mais de 16 mil o número de vítimas fatais no levante contra o presidente sírio.

A escalada na violência, representada pelo uso de armamento militar, "rompe com os princípios de cessar a violência contra civis", afirmou Nunes. O bombardeio por tropas oficiais mostra que o massacre de Tremseh não foi apenas "mais uma onda de violência", na avaliação do governo brasileiro. Daí a decisão de condenar "veementemente a repressão violenta contra civis desarmados", de acordo com a nota divulgada na sexta-feira.

Chacina

O massacre ocorreu na quinta-feira. A vila foi cercada e bombardeada por artilharia e foguetes lançados por helicópteros. Sobreviventes foram executados por milícias locais. Há relatos sobre mortos em um rio.

A decisão de usar soldados e armas das Forças Armadas elevou a violência para um patamar ainda maior, avalia o governo brasileiro. A resposta, na nota oficial, foi usar a mesma estratégia, elevando o tom contra Assad, que chegou ao poder em 2000 após quase três décadas de mando de seu pai, Hafez Al Assad.

A interrupção da morte de civis está prevista no plano de paz de seis pontos proposto pelo ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan, que tenta mediar uma transição pacífica em nome da ONU e da Liga Árabe.

No entanto, o governo Dilma Rousseff ainda acredita que haja espaço para uma transição política comandada pelos próprios sírios e evita falar abertamente em sanções por meio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, como defende a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton.

Na nota divulgada anteontem, o Itamaraty mencionou o conselho responsável por autorizar ações armadas contra países em nome das ONU. Mas limitou-se a defender o respeito a duas resoluções do organismo que permitem o acesso de observadores a locais de conflito.

"O Governo brasileiro insta o Governo sírio a interromper imediatamente quaisquer ações militares contra civis desarmados e a cooperar com a Missão de Supervisão das Nações Unidas na Síria (UNSMIS) permitindo-lhe acesso irrestrito aos locais conflagrados por conflitos, conforme mandato do Conselho de Segurança da ONU", dizia a nota.

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