Para governo Bush, em 11/9 mísseis eram a maior ameaça

Em 11 de setembro de 2001, a conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, planejava anunciar a política da administração de George W. Bush para enfrentar "as ameaças e problemas de hoje e do futuro próximo, não do mundo ontem" - cujo enfoque estava voltado para o escudo de defesa antimísseis, em vez do terror dos radicais islâmicos, segundo o jornal The Washington Post.No discurso para promover o polêmico e dispendioso programa de instalação de mísseis antimísseis, não havia nenhuma menção à rede terrorista Al-Qaeda, que, na época, já tinha demonstrado seu poder de fogo em atentados contra embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, um destróier americano no Iêmen e uma base militar dos EUA na Arábia Saudita, entre outros ataques.O texto do discurso, que nunca chegou a ser proferido, fazia referência ao terror, mas somente no contexto de possíveis armas de destruição em massa de "países renegados", como o Iraque - dando a entender que o combate às células de grupos terroristas islâmicos não estava, como estão agora, entre as prioridades da segurança doméstica. O discurso criticava implicitamente a administração anterior, de Bill Clinton, por não ter feito o suficiente para enfrentar a real ameaça: os mísseis de longo alcance.O porta-voz da Casa Branca, Scott MacClellan, confirmou a existência do texto do discurso que Rice faria em 11 de setembro. A comissão que investiga possíveis falhas na prevenção dos atentados de 11 de setembro anunciou que o depoimento público de Rice será realizado em 8 de abril.

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