Para grupo, ver jogos da Copa é ato pecaminoso

Para a polícia de Uganda, o duplo atentado em Kampala foi trabalho de um grupo somali, o Al-Shabab. Se for provado, o ataque marcará uma evolução nas atividades do movimento, que se limitava mais ao plano local em termos de atividades.

Análise: Jason Burke, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

Em sucessivas campanhas, o movimento sob a liderança de um grupo de clérigos e xeques assumiu o controle de pelo menos um terço da Somália, incluindo uma grande parte da capital, Mogadíscio. Hoje com alguns milhares de membros, a expansão do movimento é marcada por duas tendências: a radicalização e a internacionalização.

A radicalização levou a execuções, amputações e formação de patrulhas de jovens que, lembrando a polícia religiosa do Taleban nos anos 90, perseguem qualquer um que transgrida os códigos de comportamento, rigorosos, puritanos e cada vez mais arbitrários. A internacionalização significou uma promessa de fidelidade à liderança da Al-Qaeda e também o ingresso de numerosos voluntários nas fileiras do Al-Shabab.

Por que atacar pessoas que assistiam à Copa do Mundo? Em primeiro lugar, porque são um alvo fácil. Em segundo, porque o al-Shabab já deixou claro que desaprova o futebol, ameaçando jogadores e torcedores. Numa recente postagem na internet, um estudioso extremista disse que assistir à Copa era um ato anti-islâmico, pois envolve apostas, um comportamento pecaminoso e um "divertimento desnecessário". / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É JORNALISTA DO "GUARDIAN"

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