ABBAS MOMANI / AFP
ABBAS MOMANI / AFP

Para Hamas e Netanyahu, conflito oferece um impulso político; leia análise 

Com dezenas de mortos e centenas de feridos, os dois dias iniciais do conflito renovado trouxeram medo e perdas para milhões em Gaza e Israel, mas a crise crescente reforçou o destino político do grupo e do premiê

Patrick Kingsley e Isabel Kershner / The New York Times , O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2021 | 05h00

Com dezenas de mortos e centenas de feridos, os dois dias iniciais do conflito renovado trouxeram medo e perdas para milhões em Gaza e Israel, mas a crise crescente reforçou o destino político do Hamas, o grupo militante islâmico que governa a Faixa de Gaza, e o do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Um líder político sênior do Hamas manteve um tom triunfante na terça-feira ao falar sobre a rapidez com que os confrontos em Jerusalém na segunda-feira se tornaram um problema mais amplo para Israel, que enfrenta ataques de foguetes de Gaza que ameaçam cidades israelenses.

“Conseguimos criar uma equação ligando as frentes de Jerusalém e Gaza”, disse o líder do Hamas, Ismail Hanyeh, em um discurso gravado no Catar e transmitido em um canal de televisão afiliado ao grupo. “Eles são inseparáveis. Jerusalém e Gaza são um.”

Desde que assumiu o poder em Gaza em 2007, o Hamas perdeu popularidade pelo que muitos moradores de Gaza consideram sua abordagem autoritária e governança deficiente.

Para o Hamas, o conflito permitiu revitalizar suas reivindicações à liderança da resistência palestina e enquadrou seus ataques com foguetes como uma resposta direta às batidas da polícia israelense no complexo da Mesquita de Al-Aqsa, terceiro local mais sagrado para o Islã, localizado em Jerusalém Oriental. No processo, o grupo se apresentou como um protetor dos manifestantes e fiéis palestinos na cidade.

Para Netanyahu, o conflito - junto com as divisões que promove entre os partidos da oposição que atualmente negociam uma coalizão para derrubá-lo do poder - deu a ele meia chance de permanecer como primeiro-ministro, poucos dias depois de parecer que ele poderia estar de saída. 

“É a história de todas as guerras anteriores entre Israel e o Hamas”, disse Ghassan Khatib, especialista em política da Universidade Birzeit, na Cisjordânia ocupada. Ambos os governos “saíram vitoriosos, e o público de Gaza saiu como perdedor”.

O Hamas disse que vários de seus militantes em Gaza foram mortos e que outros foram dados como desaparecidos em um ataque israelense.

Os militares israelenses disseram que seus alvos em Gaza incluíam os locais de fabricação de armas do Hamas e da Jihad Islâmica, outro grupo militante, bem como instalações militares e dois túneis. Um comandante de batalhão do Hamas que estava em casa em um prédio residencial também foi o alvo, de acordo com os militares.

Nem a localização nem a condição da pessoa que se diz ser comandante de batalhão foram imediatamente esclarecidas. Mas as autoridades de Saúde de Gaza disseram que os corpos de três civis foram removidos das ruínas do prédio.

Dois deles - Amira Soboh, de 58 anos, e seu filho Abdelrahman, de 17, que tinha paralisia cerebral - seriam membros de uma família que morava três andares abaixo do apartamento do suposto comandante. Eles foram mortos por escombros, disse o filho mais velho de Soboh, Osama Soboh.

Soboh, um funcionário público de 31 anos, questionou por que Israel tinha como alvo um edifício civil. “Não é um quartel militar - não representa nenhum perigo para Israel”, disse ele. “Era uma senhora idosa com um filho com paralisia cerebral.”

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