Para Hezbollah, diálogo com britânicos deve ser público

Representantes do Hezbollah disseram hoje que saúdam as conversações com a Grã-Bretanha, mas que rejeitaram o que disseram ser uma exigência britânica de que os contatos acontecessem secretamente. O Ministério de Relações Exteriores britânico anunciou ontem que entrou em contato com o braço político do Hezbollah numa tentativa de chegar a seus legisladores. O objetivo final, disse a chancelaria, é encorajar o grupo a abandonar a violência e a ter um papel político construtivo no Líbano, país profundamente dividido. Mahmoud Komati, vice-líder do escritório político do Hezbollah, disse que se a Grã-Bretanha quer engajar o grupo, as conversações precisam ser mantidas em público. "Os britânicos tentam constantemente, há cerca de um ano, manter um diálogo conosco, mas eles querem um diálogo secreto", disse Komati. "Se (os britânicos) querem um diálogo, que permita que esse diálogo seja público." Os esforços da Grã-Bretanha em conversar com o grupo demonstram o erro de rotular o grupo como uma organização terrorista, disse ele. A Grã-Bretanha encerrou seus contados com o grupo em 2005 e, no ano passado, colocou seu braço militar na lista de organizações terroristas. O Hezbollah tornou-se parte de um governo de união no Líbano em maio, após violentos confrontos nas ruas com rivais, nos quais seus homens tomaram o controle de grandes parte de Beirute. O deputado Mohammed Fneish, que representa o Hezbollah no governo de unidade, saudou a decisão britânica de estabelecer contatos com o grupo. "O Hezbollah não tem objeções em manter contato com a Grã-Bretanha", disse Fneish. "A política do Hezbollah é ser (um grupo) aberto. Então, estamos prontos para o diálogo e contatos com qualquer país que não seja hostil a nós", completou. O porta-voz do Hezbollah, Ibrahim Moussawi, também elogiou a decisão britânica como um "passo na direção certa". Em Londres, o secretário de Relações Exteriores, David Miliband, explicou que a decisão da Grã-Bretanha é parte dos esforços para pressionar o grupo a se desarmar, algo que ele tem se recusado a fazer desde sua formação, em 1982, para lutar contra a ocupação israelense da faixa de fronteira no sul do Líbano. "No Líbano, eles têm um integrante no gabinete e nós aprovamos contatos com escalões mais baixos, de maneira que possamos deixar absolutamente clara nossa determinação sobre a resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que pede que a debandada de milícias, entre outras coisas no Líbano, ocorram com velocidade", disse Miliband hoje à rádio BBC.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.