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Para Hillary, taxação a Brasil deve se manter

Decisão de Barack Obama de prorrogar permanência no País do embaixador Clifford Sobel visaria à política de biocombustíveis

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2009 | 00h00

A futura secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deu sinais de que o governo de Barack Obama não será favorável à eliminação das tarifas de importação sobre o etanol brasileiro. Em perguntas enviadas pelo senador republicano Richard Lugar como parte do processo de confirmação de Hillary no cargo, a futura secretária afirmou ser "importante que a cooperação entre o Brasil e os EUA na área energética não prejudique os produtores americanos de biocombustíveis"."Queremos assegurar que a atual cooperação energética com o Brasil seja ambientalmente sustentável e espalhe os benefícios de energia alternativa na região, ao mesmo tempo em que amplie o mercado para produtores americanos de energia verde", disse Hillary, segundo documento obtido pelo Estado. "Mas também é importante que os produtores americanos de biocombustíveis não sejam prejudicados pelos esforços para aumentar a cooperação Brasil-EUA", disse a futura secretária de Estado. Questionada por Lugar sobre a possibilidade de se estabelecer memorandos de entendimento sobre segurança alimentar, e posteriormente tratados de investimento e tributário com o Brasil, Hillary disse: "A atual relação Brasil-EUA nos dá uma base para uma relação mais aprofundada entre os dois países. Há uma série de questões em que esperamos trabalhar com nossos parceiros brasileiros para disseminar a governança democrática, oportunidade e segurança nas Américas. Eu gostaria de ter sua assessoria para identificar as áreas."O senador republicano perguntou a Hillary se o governo Obama pretende mudar sua política para a América Latina para melhorar o papel do país na região, já que os EUA vêm perdendo influência. "O presidente eleito deixou claro que após anos de pressão por reformas de cima para baixo, precisamos de uma agenda nas Américas que trabalhe para promover democracia, segurança e oportunidades de baixo para cima." Hillary afirmou que algumas políticas do governo de George W. Bush para a região serão mantidas, mas adaptadas para "os desafios que estão surgindo".O jornal The Washington Post informou ontem que o presidente eleito prorrogou por um período ainda não definido a permanência do embaixador americano no Brasil, Clifford M. Sobel, diplomata ligado ao círculo de amigos do presidente Bush. Mas o jornal não indicou as razões da decisão tomada por Obama. Aparentemente, a medida teria sido motivada, segundo o jornal, pelo desejo de que Sobel continue no posto em razão de suas boas relações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem Obama espera trabalhar em um amplo plano de cooperação energética regional. Ex-membro do comitê nacional do Partido Republicano, Sobel foi uma peça fundamental na busca por um entendimento de Lula com Bush na área de biocombustíveis. Em uma reunião realizada em Washington, há dois anos, tanto o presidente brasileiro quanto o americano concordaram em adotar um plano piloto de ajuda ao desenvolvimento de tecnologia em vários países. DOADORSobel, identificado pelo Washington Post como "um importante doador" para campanhas de Bush, foi também embaixador dos EUA na Holanda, antes de servir no Brasil. Geralmente, os embaixadores americanos permanecem por quatro anos em seus postos. Mas quando há uma eleição presidencial nos EUA, eles costumam renunciar antes da votação para facilitar a escolha de novos representantes diplomáticos. Quando o novo presidente americano aceita a renúncia, o encarregado de negócios assume provisoriamente as funções até a designação de um novo embaixador. Sobel foi nomeado em 2006 e, teoricamente, teria mais dois anos servindo no Brasil.

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