AFP PHOTO / BERTRAND LANGLOIS
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Para Hollande, terrorismo ameaça mais a Eurocopa do que protestos

Trens iniciarão greve nesta terça-feira à noite, marcando uma nova fase na onda de manifestações e paralisações em todo o país no setor de transportes

O Estado de S. Paulo

31 Maio 2016 | 08h34

PARIS - O presidente da França, François Hollande, afirmou nesta terça-feira, 31, que o terrorismo é a principal ameaça para a Eurocopa, que começa a ser disputada no país no dia 10 de junho, e não as greves contra a reforma trabalhista defendida pelo governo.

"A ameaça continua sendo o terrorismo", disse Hollande ao ser perguntado se os protestos afetarão a realização da competição em entrevista publicada pelo jornal Sud Ouest.

As declarações de Hollande chegam às bancas francesas no mesmo dia em que terá início uma greve de trens às 19h (14h em Brasília), que marcará o começo de uma nova onda de protestos e paralisações em todo o país no setor de transportes, incluindo também o metrô de Paris e os controladores de voos.

Sobre a segurança da Eurocopa, Hollande lembrou que a França usará 90 mil agentes, entre eles policiais, militares e voluntários, para proteger torcedores e atletas que vierem ao país.

Hollande explicou que a decisão de manter as chamadas "fan zones", apesar da ameaça terrorista, foi tomada porque é melhor que os torcedores estejam em locais fiscalizados e protegidos.

"O controle de fronteiras também será reforçado para evitar que os 'hooligans' venham para perturbar a festa", acrescentou o presidente da França. 

Os protestos contra a reforma trabalhista completaram quatro meses na segunda-feira. O comitê de turismo de Paris e sua região se preocupam com as consequências destes "eventos sociais", como as manifestações constantes, marchas violentas e bloqueios em estradas ou postos de gasolina, temerosos com a imagem que dão do país.

"Somos o único país que pratica este fenômeno tão francês, que consiste em provocar o caos quando queremos que as pessoas nos visitem", lamentou o deputado da oposição de direita Luc Chatel.

A reforma proposta pelo governo permite que as empresas negociem diretamente com os seus trabalhadores as condições de trabalho, em vez das negociações gerais por setor. Os críticos do projeto acreditam que essa possibilidade coloca em perigo os trabalhadores e promove a insegurança.

Já para o governo, a lei deve permitir adaptar o código de trabalho à realidade da empresa e, assim, promover a luta contra o desemprego no país, que está em 10%. /EFE e AFP

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