Para Hollande, declarações do Irã complicam negociações

O presidente francês François Hollande disse nesta quarta-feira que as declarações do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, são "inaceitáveis" e devem elevar as tensões nas negociações internacionais sobre o programa nuclear iraniano.

Agência Estado

20 de novembro de 2013 | 11h46

Hollande referiu-se ao discurso feito por Khamenei no qual afirmou que a França estava "se ajoelhando" para Israel e no qual reafirmou o "direito" do Irã de "enriquecer seu estoque de urânio".

"O presidente disse que as palavras de Ali Khamenei sobre Israel são inaceitáveis e complicam as negociações", disse a porta-voz do governo francês, Najat Vallaud-Belkacem, após comparecer a uma reunião de gabinete com Hollande.

A França tem sido dura nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, insistindo que Teerã entregue ou desintegre seu estoque de urânio, que foi enriquecido em um nível que se aproxima do grau para a fabricação de armas. A França também quer que Teerã interrompa o desenvolvimento de seu reator nuclear em Arak, já que para o governo francês ele pode ser usado para produzir plutônio para uma bomba nuclear.

As declarações de Hollande foram feitas após o retorno de uma vista de três dias a Israel.

Vallaud-Belkacem disse aos jornalistas que o gabinete de Hollande discutiu o dossiê nuclear iraniano horas do início de um novo encontro, nesta quarta-feira, entre Irã e o P5+1 (grupo de potências nucleares formado por Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha) em Genebra. Ela disse, porém, que a França ainda tem esperanças a respeito de um acordo, mas sua posição não foi alterada.

Durante discurso à milícia paramilitar Basij, que é controlada pela poderosa Guarda Revolucionária. Khamenei referiu-se a Israel - "o regime sionista" - como o "o cão raivoso da região".

Khamenei afirmou também que o regime israelense está "fadado ao colapso", intensificando a guerra de palavras entre os dois países. "O regime sionista é um regime cujos pilares são extremamente fracos e está fadado ao colapso", afirmou ele durante encontro com a milícia.

"Qualquer fenômeno que seja criado pela força não pode perdurar", disse ele, em declarações transmitidas ao vivo pela televisão.

As observações foram feitas no momento em que Israel faz duras críticas aos esforços da potências mundiais para chegar a um acordo com o Irã a respeito do programa nuclear iraniano. Israel, o único país da região que tem armamentos nucleares não declaradas, se opõe ao acordo.

O P5+1 e o Irã retomam as negociações em Genebra nesta quarta-feira, mas o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu diz que um acordo seria "perigoso". Fonte: Dow Jones Newswires.

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