Para iranianos, saída de Rumsfeld diminui ameaça de conflito

Iranianos influentes deram boas-vindas nesta quinta-feira à renúncia do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, e às perdas do Partido Republicano no Congresso. Segundo eles, os dois eventos devem reduzir as chances de um confronto com os EUA sobre o programa nuclear iraniano. A maioria democrata no Congresso escolherá negociar com o Irã, disse Nasser Hadian, um cientista político liberal da Universidade de Teerã. A rádio estatal foi particularmente mordaz em sua visão sobre a saída de Rumsfeld, dizendo que ele havia sido um "símbolo de estupidez e unilateralismo" e sua queda refletia "a derrota da América no Iraque, o fim da era dos neoconservadores e a falência da política de guerra americana - da qual Rumsfeld era o arquiteto". O mais alto negociador nuclear do Irã, Ali Larijani, disse que a derrota eleitoral dos republicanos "pode amolecer a política comercial de guerra realizada pelos EUA na região". Nas eleições, o Partido Democrata obteve controle da Câmara dos Representantes (deputados) e, por uma contagem não oficial, do Senado também. Novo secretário A nomeação de Robert Gates para o gabinete da Defesa foi um "sinal positivo para reduzir tensões" entre o Irã e os EUA, disse Hadian. Um segundo comentarista, Yadollah Eslami, disse que os eleitores americanos rejeitaram a "mentalidade de guerra" do ex-secretário de Defesa, e sua partida mudaria o tom da política de guerra em relação ao Irã. "Os democratas irão fazer o melhor para resolver a questão nuclear com o Irã através de negociações que excluam grandes ameaças", disse Eslami, que pertence à Frente de Participação Iraniana, o maior partido reformista do país. Já para o jornal radical Kayhan, o presidente George W. Bush não realizaria mais campanhas militares fora do país porque, agora, ele estará ocupado lutando contra a maioria democrata no Congresso. "A vitória dos democratas significa que a administração de Bush será forçada a tratar dos assuntos cautelosamente, ao invés de instigar a guerra no mundo", disse o jornal em editorial.I

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