Para Kirchner, distúrbios aconteceram para prejudicá-lo

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, comentou nesta quarta-feira os distúrbios ocorridos durante o translado dos restos de Juan Domingo Perón à cidade próxima de São Vicente, e condenou o desfecho de violência do percurso. Kirchner, que é do Partido Justicialista (o PJ, fundado por Perón e também chamado de Peronista) participaria da homenagem a Perón motivada pelo traslado do corpo do homem que governou a Argentina por três vezes a um novo mausoléu erguido em um sítio que pertenceu ao general. O presidente, entretanto, cancelou sua presença quando começaram os distúrbios.Segundo o jornal argentino El Clarín, Kirchner disse em um pronunciamento televisionado nesta quarta-feira que os distúrbios foram preparados para prejudicá-lo. "As coisas não acontecem por acaso. É preciso atacar Kirchner para deter a mudança, para deter o novo país que estamos construindo. Na escuridão, movimentam-se aqueles que querem perturbar o ânimo dos argentinos porque não aceitam nem admitem que a Argentina esteja crescendo", disse. O presidente afirmou ainda que viu "com profunda tristeza" a batalha campal ocorrida no sítio "17 de Outubro", na localidade de San Vicente, onde grupos sindicais adversários se enfrentaram com paus, pedras e armas de fogo, deixando entre 40 e 60 feridos.O presidente argentino também apelou para que a população o apóie: "Peço que cuidem de mim e ajudem a corrigir os erros porque estamos fazendo uma Argentina diferente e preciso de vocês porque sozinho não consigo. E está claro que, com o que aconteceu ontem, terça-feira, sozinho eu não consigo. Preciso de vocês, meus irmãos! Peço que vocês me acompanhem."Responsáveis pela violênciaO governador da província de Buenos Aires, Felipe Solá, comprometeu-se a "identificar a cada um dos responsáveis pela violência de ontem (terça-feira)".Até agora, o único detido pelos incidentes é Emilio Quiroz, um empregado do sindicato de caminhoneiros flagrado pelas câmaras de TV dando tiros com um revólver durante os confrontos.Várias testemunhas disseram que a briga foi protagonizada por membros dos sindicatos de caminhoneiros e de operários da construção.Solá disse que os envolvidos eram "um grupo de traidores" que estragou "a festa de milhares", e lamentou ter visto "muita gente chorando de ódio, de raiva e de dor pela Argentina por (culpa de) duzentos caras, no máximo".O traslado dos restos mortais de Perón (1895-1974) de um cemitério em Buenos Aires ao sítio localizado a 40 quilômetros da capital argentina foi organizado pelas 62 Organizações Sindicais Peronistas, próximas ao Partido Justicialista (peronista), ao que pertence o presidente Kirchner.

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