Bulent Kilic/Efe
Bulent Kilic/Efe

Para Kofi Annan, Síria não cumpriu plano de paz

Em documento sigiloso ao Conselho de Segurança, mediador informa que Assad violou promessa de retirada

Jamil Chade / CORRESPONDENTE / GENEBRA ,

10 de abril de 2012 | 21h26

GENEBRA - Entidades ligadas à oposição síria denunciaram ao menos 65 mortes no primeiro dia da trégua negociada pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe ao país, Kofi Annan, com o regime de Bashar Assad. O diplomata reconheceu que o pacto foi desrespeitado, mas ainda tenta salvar o acordo. Ao Conselho de Segurança da ONU (CS), ele reclamou das falsas promessas do governo da Síria.

"É evidente que o plano de paz não foi aplicado segundo o programa previsto, mas isso não significa que o mesmo ainda não possa ser aplicado", afirmou Annan. Ele alertou que o acordo é o único caminho para garantir a paz. "É cedo demais para assegurar que o plano fracassou. Se o plano for retirado da mesa, o que vocês querem colocar no lugar?"

Suas declarações contrastaram com um documento sigiloso que ele entregou nesta terça-feira, 10, ao Conselho de Segurança. Uma cópia do texto obtida pelo Estado indica que Annan constatou que nada do que os sírios prometeram ocorreu e tropas continuam nas cidades.

"As próximas 48 horas terão de ver sinais claros e imediatos de uma mudança na posição militar do governo sírio", diz Annan no documento,

Represálias

 

Opositores e governos de diversos países acusaram Assad de violar a primeira parte do acordo, que previa o recolhimento de tanques e armas pesadas. Nesta terça, o governo americano indicou que estava pronto para adotar "novas medidas" contra o regime sírio.

Os russos pediram a Assad que aplique o plano. O chanceler russo, Sergei Lavrov, chegou a fazer uma rara crítica a Damasco, alertando que o governo sírio "poderia ter sido mais decisivo" ao adotar o acordo.

O chanceler sírio, Walid Moallem, garantiu em Moscou que a retirada das tropas e tanques tinha começado e prometeu aceitar a entrada dos observadores da ONU. França e Grã-Bretanha também denunciaram a violação do cessar-fogo e o chanceler britânico, William Hague, prometeu levar o caso novamente ao Conselho de Segurança.

O Exército Livre Sírio prometeu atacar o regime sírio em 48 horas, de uma forma inédita, se as forças de Damasco violarem o prazo de quinta-feira. A declaração foi feita pelo porta-voz dos rebeldes, o coronel Qasem Saadedin. Segundo o Conselho Nacional Sírio, mais de mil pessoas perderam a vida desde o dia 5.

Para lembrar

 

Foram várias as promessas descumpridas pelo presidente Bashar Assad em um ano de crise. Há oito meses, o chanceler da Turquia, Ahmet Davutoglu, em visita a Damasco, ouviu do ditador que negociações com a oposição estavam para ser lançadas. O mesmo foi dito a emissários de Índia, Brasil e África do Sul (Ibas) que foram à capital síria. Em novembro, Assad assinou um acordo com a Liga Árabe que previa cessar-fogo e diálogo. Mesmo com observadores da liga na Síria, a repressão continuou. No mês passado, Assad disse que retiraria as tropas das cidades até hoje.

 

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