Para Lagos, países devem decidir com soberania sobre terroristas

O presidente Ricardo Lagos disse nesta terça-feira que o terrorismo é uma ameaça global, mas advertiu que os países devem decidir com soberia sobre a forma de enfrentá-lo. Lagos inaugurou um encontro de ministros da Defesa das Américas que examinará formas de cooperação diante das novas ameaças à segurança regional, especialmente o terrorismo e o narcotráfico.Lagos disse que a ameaça terrorista mudou, "porque há entidades ou bandos que não têm território próprio mas que atuam globalmente". "Devemos cuidar das áreas isoladas de nosso território, que podem ser presas fáceis dos terroristas", disse Lagos, acrescentando que cada país deve decidir soberanamente sobre a forma de enfrentar o problema. O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, disse que as ameaças no novo século "transcendem a geografia e não respeitam fronteiras", motivo pelo qual a cooperação para combatê-las é ainda mais necessária do que antes.A ministra chilena de Defesa, Michele Bachelet, defendeu "a criação de um esquema de segurança hemisférica que nos proporcione estabilidade e paz nas Américas".Bachelet disse que a reunião de três dias da 5ª Conferência de Ministros de Defesa das Américas revisará "a forma com a qual poderemos aprofundar nossa cooperação continental" e os atuais conceitos de segurança para fazer os ajustes necessários aos desafios de hoje. Em seu discurso perante os demais ministros, Rumsfeld mencionou o terrorismo, o narcotráfico, os seqüestros, o contrabando de armas, os crimes cometidos através da Internet e a lavagem de dinheiro entre as ameaças novas e antigas que a região enfrenta. "Estas ameaças devem ser combatidas com novas novas capacidades", disse Rumsfeld, e pediu aos países do hemisfério que trabalhem unidos porque os riscos têm um caráter global. "Hoje, a necessidade de que nossos países trabalhem juntos não diminuiu, pelo contrário, aumentou", disse Rumsfeld. O secretário de Defesa americano negou em entrevista à imprensa na segunda-feira que os EUA pressionem os países latino-americanos para que apóiem suas políticas antiterroristas mas insistiu em que cada país deve decidir qual a forma de enfrentar essas ameaças.Acredita-se que um ponto de divergência será o de que os EUA querem a participação das Forças Armadas na luta contra o narcotráfico, enquanto que o Chile e outros países latino-americanos consideram que essa tarefa é policial.O anúncio de que Rumsfeld seria o encarregado de desenvolver o primeiro tema da agenda - "Segurança regional no início do século 21" - provocou protestos de setores esquerdistas. Um grupo de manifestantes se reuniu pacificamente na segunda-feira diante do ministério de Defesa chileno carregando cartazes como "EUA, o grande terrorista" ou "Guerra made in USA".

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