AP Photo/Felipe Dana
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Para lembrar: Mossul abrigava monumentos

Cidade foi conquistada pelos mongóis em 1262, passou depois à dominação persa e, mais tarde, otomana

O Estado de S.Paulo

10 Julho 2017 | 03h00

Mossul, último grande reduto urbano do EI no Iraque, outrora foi conhecida por suas finas musselinas e seus tesouros arqueológicos. Atravessada pelo Rio Tigre e situada a 350 km ao norte de Bagdá, Mossul é a capital da Província de Nínive, rica em petróleo. 

Situada em frente às ruínas da antiga Nínive, na Alta Mesopotâmia, a cidade foi conquistada pelos mongóis em 1262, passou depois à dominação persa e, mais tarde, otomana. Em 1918, a região foi anexada a um Iraque sob domínio britânico. 

Uma tradicional rota comercial entre Turquia, Síria e o restante do Iraque, Mossul foi conhecida por seus finos tecidos de algodão, as musselinas, seus monumentos e sítios arqueológicos. 

Mas a região se tornou um terreno de violência diária após a invasão americana ao Iraque, em março de 2003, que levou à queda do regime de Saddam Hussein. Último feudo do partido Baath, de Saddam, a cidade se transformou, mais tarde, na fortaleza da rede terrorista Al-Qaeda. 

Em 10 de junho de 2014, no segundo dia de sua fulgurante ofensiva no Iraque, os jihadistas do Estado Islâmico tomaram Mossul, aproveitando-se de uma debandada do Exército iraquiano. No dia 29 de junho, o EI comandado por Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou um califado nos territórios conquistados no Iraque. Em 5 de julho, Baghdadi apareceu pela primeira vez em um vídeo, diante da Grande Mesquita de Mossul. 

Os jihadistas fizeram da cidade um laboratório de seu “califado”. Ali, decidiram os programas escolares, horários de funcionamento de lojas, os trajes permitidos. Foi proibida a venda e o consumo de álcool e tabaco. Milhares de habitantes fugiram, principalmente os quase 35 mil cristãos, que teriam de se converter ao Islã, ou abandonar a cidade, sob pena de execução.

A partir de julho de 2014, o EI atacou mausoléus xiitas e santuários ricamente decorados. O grupo explodiu a mesquita onde ficava a tumba do profeta Jonas e destruiu a emblemática mesquita Al-Nuri. 

No museu de Mossul, o mais importante do Iraque depois do de Bagdá, os radicais queimaram livros e manuscritos antigos, destruíram tesouros pré-islâmicos, como os famosos touros alados assírios com rosto humano, datados de vários séculos antes do cristianismo. / AFP

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