Para líderes mundiais, saída de Mubarak é oportunidade para o Egito

Premiê britânico diz que novo governo poderá unir o país; chefe da ONU pede transição pacífica.

BBC Brasil, BBC

11 de fevereiro de 2011 | 20h27

Ban afirmou que a voz do povo egípcio foi ouvida

Autoridades internacionais reagiram com satisfação à renúncia de Hosni Mubarak, que deixou a presidência do Egito após 30 anos no poder, e disseram que o país árabe tem agora uma oportunidade de ter um governo que atenda as aspirações de seu povo.

Na Grã-Bretanha, o premiê, David Cameron, disse que o Egito se encontra agora em um "momento precioso, em que há a oportunidade de ter um governo que una todo o país" e afirmou que seu governo está disposto a ajudar de todas as maneiras possíveis.

"Acreditamos que deva haver um governo que comece a colocar os primeiros tijolos para a construção de uma sociedade verdadeiramente aberta, livre e democrática."

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu uma "transição pacífica, transparente e ordeira" no Egito e a realização de eleições livres e justas e disse que a ONU continua pronta pra dar assistência nesse processo.

"A voz do povo egípcio, particularmente a dos jovens, foi ouvida e agora o futuro do país está na mão deles", disse.

Consenso

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, disse estar ansioso pelo futuro do Egito.

"Uma janela se abriu após essa revolução e a concessão do presidente. Como um cidadão egípcio, estou orgulhoso de servir meu país e ajudar na construção de um consenso nacional."

O porta-voz do grupo palestino Hamas, Sami Abu Zuhri, disse que a renúncia de Mubarak representava o início da vitória da revolução egípcia.

"Essa vitória foi resultado de sacrifícios do povo egípcio. Fazemos um apelo às novas lideranças do país para que ajam imediatamente para derrubar o bloqueio à Gaza pela passagem de Rafah (entre o Egito e o sul da Faixa de Gaza, que está fechada)."

Um militar israelense disse, sob condição de anonimato, que ainda é muito cedo para prever como a renúncia do presidente vai afetar a situação regional.

"Esperamos que a mudança para a democracia no Egito ocorra sem violência e que o acordo de paz permaneça."

Diálogo

A mais alta representante da diplomacia da União Europeia afirmou nesta sexta-feira que o bloco respeita a decisão de Hosni Mubarak de deixar a Presidência do Egito.

A chanceler do bloco, Catherine Ashton, pediu por diálogo para a formação de um governo que represente diversos setores da sociedade egípcia.

Por meio de um comunicado, Ashton disse que a União Europeia compartilha com o povo egípcio o objetivo de uma transição ordenada para a democracia e eleições livres e justas.

Ao deixar o poder, Mubarak "abriu caminho para reformas mais rápidas e profundas", disse.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que o dia de hoje era de "grande felicidade".

"Somos todos testemunhas de uma mudança história. Eu compartilho a felicidade dos cidadãos egípcios nas ruas do país."

O governo do Catar foi o primeiro do Oriente Médio a se pronunciar oficialmente sobre a saída de Mubarak, dizendo que "este é um passo positivo, importante rumo as aspirações do povo egípcio de alcançar a democracia, reforma e uma vida digna".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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