Para Lula, punições a Teerã são 'birra' e 'equívoco'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a aprovação de novas sanções contra o Irã pelo Conselho de Segurança da ONU, classificando a ação como um "equívoco". Segundo o presidente, a decisão foi tomada por "birra" e joga fora a oportunidade de negociação com o Irã aberta por Brasil e Turquia.

Anna Ruth Dantas, ESPECIAL PARA O ESTADO / NATAL, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h00

 

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"Em vez de chamarem o Irã para a mesa, eles resolveram, na minha opinião pessoal, apenas por birra, manter a sanção", disse Lula. "Acho que o Conselho de Segurança (CS) jogou fora uma oportunidade histórica de negociar tranquilamente o programa nuclear iraniano."

Segundo Lula, Brasil e Turquia, ao assinarem um acordo com o Irã sobre enriquecimento de urânio, deram aos outros países a oportunidade de negociar e eles provaram que não queriam. Mais uma vez, Lula defendeu a reforma do Conselho de Segurança, afirmando que a instância não representa mais a realidade política do mundo. Para ele, a decisão tomada hoje de impor sanções ao Irã enfraquece o órgão.

Lula ainda disse ter conversado por telefone com o premiê turco, Recep Erdogan. "Espero que o companheiro (Mahmoud) Ahmadinejad continue tranquilo."

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, também criticou o Conselho de Segurança, alegando pressa, falta de transparência e de debate na votação das sanções contra o Irã. Para ele, a Declaração de Teerã não foi considerada e os países favoráveis às punições já estavam decididos a aprová-las.

"A verdade é que o acordo não foi considerado. Creio eu, porque os promotores das sanções já estavam decididos a estabelecer as sanções e viram no acordo um incômodo, pois teriam mais dificuldade em convencer a opinião pública mundial", afirmou Amorim, em entrevista no Itamaraty.

Segundo o ministro, o Brasil tomou conhecimento do projeto da resolução por meio de uma agência de notícias. "Não houve um debate político sobre essa resolução", afirmou Amorim. Antes, em audiência na Câmara dos Deputados, ele falou que o CS tem "procedimentos muito estranhos" e a resolução foi aprovada de uma maneira "totalmente não transparente".

"Os cinco membros permanentes são detentores de armas nucleares, reconhecidos pelo Tratado de Não-Proliferação. Isso, em si, já os desautoriza moralmente." Na avaliação do chanceler, a diplomacia brasileira sai "fortalecida" do episódio por saber "manter a coerência".

Amorim ressaltou que o Brasil respeitará as sanções, ainda que não concorde com elas. Segundo ele, a decisão pode irritar as autoridades iranianas e dificultar o diálogo com o regime do país.

Para o ministro, o Brasil não se considera "isolado" após a aprovação das sanções. "Não nos sentimos isolados, nós nos sentimos em boa companhia, no caso com a Turquia, país democrático e membro da Otan". Segundo ele, se o Irã representasse uma ameaça nuclear, a Turquia seria "o primeiro país a se preocupar com isso", por fazer fronteira com os iranianos. / COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA. COM AGÊNCIA BRASIL

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