Miraflores Palace / Reuters
Miraflores Palace / Reuters

Para Maduro, chineses são aliados contra EUA

Caracas passou a pedir a extradição dos corruptos, mas apenas depois que eles começaram a criticar o regime

Jamil Chade, enviado especial a Andorra, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2018 | 06h00

ANDORRA - O presidente Nicolás Maduro já deixou claro que a China é um aliado de Caracas na “guerra econômica” contra os EUA. Nas últimas semanas, o governo venezuelano voltou a anunciar novos acordos com Pequim. Um deles, a venda de 9,9% das ações de uma joint venture, a Sinovensa, para uma empresa chinesa. Maduro também indicou que Pequim prepara investimentos de US$ 5 bilhões no petróleo venezuelano. 

As declarações foram feitas em setembro, depois que Maduro voltou da China com 28 novos acordos de cooperação. Apesar de garantir que a viagem havia sido um “sucesso”, ele não conseguiu detalhar como os US$ 5 bilhões chegariam à sua economia. Hoje, a produção de petróleo do país está em seu nível mais baixo em 60 anos e os recursos chineses são considerados fundamentais para resgatar a produção. 

Ao longo de uma década, a China investiu mais de US$ 50 bilhões na Venezuela. Mas, nos últimos três anos, as linhas de crédito foram limitadas. Sem dinheiro, Maduro iniciou um expurgo contra parte dos dirigentes mencionados nas investigações de Andorra. As ações, porém, começaram depois que os suspeitos passaram a criticar seu governo.

Vira-casaca

Foi o caso de Rafael Ramírez, o ex-presidente da PDVSA, responsável por transformar a estatal em braço financeiro do regime, financiando os projetos do ex-comandante. A partir de 2017, Ramírez passou a criticar Maduro. 

O resultado foi um cerco contra Ramírez, que terminou acusado de corrupção. No início do ano, o procurador-geral, Tarek William Saab, abriu um inquérito contra o ex-aliado e, há dois meses, pediu que ele seja extraditado da Espanha, onde vive.

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