Miraflores Palace/Handout via REUTERS
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Para garantir apoio, Maduro amplia realização de exercícios militares

Desde que o chefe do Legislativo, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino, líder chavista aumentou a frequência das práticas que envolvem civis e militares; ele prometeu novos investimentos em sistemas de defesa do país

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2019 | 13h31

CARACAS - O presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, iniciou no domingo, 10, uma série de exercícios militares que se estenderão até sexta-feira e aproveitou a ocasião para criticar seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, por considerar que este pretende intervir no país.

Estas práticas que envolvem civis e militares foram convocadas por Maduro depois que o Parlamento, de maioria opositora, não lhe reconheceu como presidente legítimo no mês passado, no início do seu segundo mandato, conquistado em votações qualificadas como fraudulentas pela oposição.

"Que Donald Trump não nos ameace. Fora Donald Trump da Venezuela, fora com suas ameaças, aqui há forças armadas e aqui há um povo para defender a honra, a dignidade e o decoro de uma pátria que tem mais de 200 anos de luta", disse Maduro em um ato com militares no Estado de Miranda, próximo a Caracas.

Na atividade, que foi transmitida pela emissora estatal "VTV", o governante anunciou que aprovará os investimentos que sejam necessários para que Venezuela "tenha todo seu sistema de defesa antiaérea e antibalística".

"Para fazer de nossos lares e povos lugares inexpugnáveis, inexpugnáveis pelo ar. Porque pela terra (eles) não podem se colocar porque aqui estão os soldados de Bolívar que fariam o império americano pagar caro por qualquer ousadia de tocar o sagrado solo da pátria venezuelana", completou.

O chefe do Legislativo, Juan Guaidó, se autoproclamou também no mês passado como presidente em exercício do país e conta com o apoio de vários países, entre eles os Estados Unidos, cujo governo reiterou que considera todas as opções, inclusive a militar, para tirar o chavismo do poder, e o Brasil, cujos diplomatas não reconhecem mais ordens de Maduro

A Venezuela conta com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e sob o governo de Maduro entrou na pior crise de sua história que inclui uma escassez generalizada, hiperinflação, deterioração dos serviços públicos, êxodo massivo e desvalorização da moeda.

Os países europeus e grande parte do continente americano reconhecem Guaidó como presidente legítimo e pediram que Maduro permita a realização de eleições livres e a entrada de ajuda humanitária para ajudar milhares de venezuelanos em dificuldades. / EFE

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