Para médicos, Sharon não voltará ao cargo

Especialista acredita que o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, de 77 anos, tem todas as chances de sobreviver, talvez possa entender e falar ao sair do coma induzido, mas não poderá voltar ao cargo.A opinião é do neurocirurgião argentino José Cohen, que comandou as três cirurgias (num total de cerca de 16 horas) a que Sharon foi submetido na quinta e sexta-feira.Cohen, de 39 anos, foi trazido para Israel pelo chefe do Departamento de Neurocirurgia do hospital, Felix Umansky, também nascido na Argentina, que o conheceu numa conferência em seu país natal. Em 2002, Cohen montou a Unidade de Neurocirurgia Endovascular do hospital.SucessãoFoi a primeira vez que um médico diretamente envolvido no caso afastou a hipótese de Sharon reassumir a chefia de governo. Com isso, intensificam-se as especulações sobre quem deverá sucedê-lo na liderança do partido Kadima (Adiante), fundado por Sharon em novembro, para aglutinar dissidentes do Likud, de direita, liderados por ele, e do Partido Trabalhista, vinculados ao ex-primeiro-ministro Shimon Peres.A posição do vice-primeiro-ministro Ehud Olmert, que chefia o governo interinamente, pareceu mais sólida ontem, depois que Peres, visto como um possível postulante, anunciou seu apoio a Olmert na liderança do Kadima. Em entrevista à CNN, Peres, de 82 anos, disse que "discutiu a questão consigo mesmo" e concluiu que não quer voltar a ser primeiro-ministro de Israel, mas dedicar-se exclusivamente ao processo de paz, o que poderá fazer como um deputado do Kadima.Peres foi o mais bem colocado em duas pesquisas feitas pelos jornais Haaretz e Yediot Ahronot, na quinta-feira. Ambas mostraram que o Kadima elegeria 42 dos 120 deputados da Knesset (Parlamento unicameral) sob a liderança de Peres, e entre 39 e 40, sob Olmert. Segundo a pesquisa do Haaretz, os trabalhistas obteriam 18 cadeiras e o Likud, 13.As eleições parlamentares estão marcadas para 28 de março. Prefeito de Jerusalém durante dez anos (1993-2003), período em que promoveu a instalação de colonos judeus na cidade, Omert, de 60 anos, apoiou a controvertida decisão de Sharon de desocupar a Faixa de Gaza, em agosto do ano passado. A medida enfrentou enorme resistência dentro do Likud, o partido de Sharon e de Olmert, e do governo, e motivou a criação do Kadima. O vice-primeiro-ministro é tido como um hábil articulador de bastidores, embora não goze de muita popularidade.

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