REUTERS/Joe Skipper
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Para mentor de Trump, é 'falem mal, mas falem de mim'

Melhor ser infame do que nunca ser famoso é uma das 'regras' da cartilha de Roger Stone, estrategista e lobista considerado mentor da carreira política do presidente americano

Beatriz Bulla / Correspondente, Washington, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2019 | 20h55

“Como eu sempre digo, pior do que ser falado é não ser falado.” Com essa frase, Roger Stone iniciou sorridente a entrevista a jornalistas na sexta-feira, 25, ao deixar um tribunal na Flórida. Horas antes, ele havia sido preso pelo FBI e solto na sequência, com o pagamento de fiança. A fala é um clássico de Stone, o estrategista e lobista considerado o mentor da carreira política de Donald Trump. Melhor ser infame do que nunca ser famoso é uma das “regras” da cartilha de Stone aos políticos que assessora. 

Na imprensa americana, analistas políticos questionaram quem havia ficado mais feliz com a prisão midiática do lobista, transmitida pela rede de televisão CNN: se Robert Mueller, o procurador especial responsável pela investigação da campanha de Trump, ou o próprio Stone.

As outras regras de Stone passam por coisas como atacar no lugar de se defender. Ele é considerado um dos pioneiros da campanha política negativa, com ataques aos adversários de políticos que assessorou. As “regras de Stone” são listadas no documentário Get Me Roger Stone, disponível na Netflix. 

O nome de Roger Stone está por trás de estratégias políticas no mínimo controversas. Ele começou a carreira na época de Richard Nixon – que foi forçado a renunciar em meio aos desdobramentos do escândalo conhecido como Watergate. Stone já se declarou um fã de Nixon e tem uma tatuagem do presidente americano nas suas costas. Em uma entrevista, em 2012, disse que a tatuagem é uma lembrança de que é preciso continuar a lutar depois que você é derrotado.

Roger Stone criou, com Paul Manafort – mais um dos nomes próximos a Trump envolvido nas investigações de Mueller – e Charlie Black, uma empresa considerada inovadora em Washington juntando marketing político com lobby. Um dos clientes da empresa foi o então empresário e magnata Donald Trump.

Stone é amigo de longa data de Trump e esteve por trás do marketing político do republicano muito antes de outros nomes surgirem - como o de Manafort ou o de Steve Bannon. A proximidade entre os dois é reconhecida pelo próprio lobista, que sempre gostou de ser visto como alguém que atuava nas sombras. 

“Aqueles que dizem que não tenho alma, que não tenho princípios... são perdedores”, diz Roger Stone no documentário disponível na Netflix. Paul Manafort é um dos que assume que Stone seguiu como importante conselheiro político de Trump, mesmo quando, oficialmente, os dois se afastaram.

Roger Stone está na mira das investigações justamente por suspeita de duas coisas que não nega: atuar nas sombras e ter sido um dos mentores da campanha de Trump. Diferente de Manafort, contudo, que decidiu colaborar com os investigadores, o controverso lobista já anunciou que será leal ao presidente.

'Bianca' 

O inquérito de Muller cita episódios pitorescos envolvendo Stone. Em um deles, segundo relata o Washington Post, Stone ameaçou sequestrar o cachorro do comediante de Nova York e ex-apresentador de rádio Randy Credico. 

Credico contou que a ameaça foi feita depois de ele ter negado publicamente ser a conexão de Stone com o site WikiLeaks durante a campanha de Trump. Credico tem o que ele se refere como "cão de terapia" chamado de Bianca. Quando a história veio a público, Bianca foi rapidamente transformada em uma estrela no Twitter, considerada uma vítima inocente da cruel ameaça. / COM W. POST  

 

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