Para mercado, risco de calote está em 93%

Queda no preço do petróleo e escassez de dólares no país deterioram economia venezuelana

CARACAS , O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2014 | 02h01

Na iminência de sofrer sanções americanas, a Venezuela vê sua economia piorar diariamente. Ontem, operadores de mercado avaliaram que, quase certamente, Caracas dará o calote diante da derrocada do preço do petróleo - responsável por 96% da receita de dólares do país - que pressiona as finanças e impõe aos bônus venezuelanos o menor valor em 16 anos.

O preço do CDS (título que protege credores contra calote na dívida do país) atingiu US$ 5,08 mil ontem, uma alta de 22,23% em relação a quarta-feira. Em junho, por exemplo, o CDS venezuelano para cinco anos estava em US$ 910. Para analistas da Bloomberg, a alta de ontem significa uma probabilidade de calote de 93%, a mais alta do mundo.

Ainda ontem, as notas de referência do país com vencimento em 2027 caíram para 43,75 centavos por dólar, seu mínimo desde setembro de 1998.

A queda de 38% do preço do petróleo este ano exacerbou preocupações de que a Venezuela não pague suas dívidas - o dólar paralelo no país subiu para 183 bolívares, enquanto a cotação oficial está em 6,3.

Esse cenário derrubou os preços do bônus venezuelano para níveis não vistos pelos investidores desde a crise russa, em 1998, que impulsionou uma corrida para a venda desses bônus nos mercados emergentes.

Os preços do petróleo negociado em Londres (Brent) e nos EUA (West Texas Intermediate - WTI) estão nos valores mais baixos dos últimos cinco anos. O preço do WTI ontem em Nova York ficou em US$ 60,95 por barril.

A Arábia Saudita questiona a necessidade de se fazer cortes na produção, reforçando a especulação de que o maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) manterá sua posição em defesa da cota de mercado.

Mesmo com queda constante dos preços, na última reunião, dia 27, a Opep decidiu manter sua produção de 30 milhões de barris por dia.

A Venezuela contava com uma redução na produção. Na ocasião, o chanceler venezuelano, Rafael Ramírez, alertou para o excedente diário de 2 milhões de barris que há no mercado, defendendo uma elevação de preço.

Diante desse cenário, o presidente Nicolás Maduro anunciou, no dia 29, um "conjunto de cortes no orçamento" e nomeou uma comissão para reduzir os gastos públicos.

Uma avaliação do banco de investimentos Jefferies diz que a Venezuela tem as "cartas na manga para evitar o calote" em 2015 se os preços pararem de cair, e o governo pode adotar diversas medidas. Passado esse período, cresce o risco de default. / AP, REUTERS e EFE

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