Romário Cunha/VPR
Romário Cunha/VPR

Para Mourão, há uma 'queda de braços' na Venezuela 

Vice-presidente diz que ainda não é possível saber quão unida está a cúpula militar venezuelana em torno de Maduro

Tânia Monteiro e Daniel Weterman , O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2019 | 21h52

Brasília – O vice-presidente, general Hamilton Mourão, disse que a avaliação que o governo brasileiro tem em relação à situação na Venezuela é a de que está havendo “uma queda de braços” entre as alas favoráveis e contrárias a Nicolás Maduro

“Hoje nós tínhamos manifestação nas ruas com os dois presidentes, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, e Nicolás Maduro, conclamando o povo para dar-lhes apoio”, comentou Mourão ao falar da divisão instalada no País. 

Questionado se o governo brasileiro tinha informações concretas se a cúpula militar venezuelana está mesmo apoiando Nicolás Maduro, como está afirmando o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padriño, o general Mourão comentou: “Eles apareceram, teoricamente, todos unidos junto ao ministro da Defesa. Mas nós não temos ainda maiores dados sobre quão unidos eles estão”.

O ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, comentou que essa questão do posicionamento dos militares “é mais um componente no problema interno da Venezuela”. Ele lembrou que “tudo isso faz parte do conjunto e a gente espera que quem vença seja o povo venezuelano e não o governo que está tentando se impor pela força”. Para ele, “a situação da Venezuela é resultado do desespero de um povo contra um governo que não responde a nenhum anseio da população”. 

Questionado se o Brasil poderia se unir ao México e ao Uruguai para atuarem como mediadores de um eventual diálogo cujo objetivo seja solucionar o conflito político na Venezuela, o general Santos Cruz respondeu: “Isso aí não tem que raciocinar agora. Isso aí, o próprio povo venezuelano está reagindo. Então, existe um processo dentro do próprio país para a solução do problema. Tem de deixar as forças do país fazerem sua própria reação e receber o apoio devido institucional e político daqueles que estão apoiando essa mudança de situação na Venezuela para melhoria do povo venezuelano”.

Papel do Brasil

Ao ser perguntado sobre o papel que o Brasil está tendo neste processo, o ministro da Secretaria de Governo resumiu: “É como está sendo feito. O Brasil está sendo bem claro nisso aí. O Brasil desaprova aquele governo por não ser um governo democrático. Existem várias resoluções internacionais de que a própria eleição não seguiu as normas mínimas de democracia e a consequência para o Brasil, imediata, são os venezuelanos que vieram para dentro do Brasil, e o Brasil tem que dar todo apoio necessário e possível a essas pessoas”.

O Brasil continua acompanhando atentamente a situação no país vizinho e não tem informações concretas se existe alguma parcela do generalato venezuelano apoiando Maduro. O fato de o ministro da Defesa ter dado nesta sexta-feira duas declarações assegurando que as Forças Armadas estão com Maduro, na avaliação de assessores palacianos, pode significar que ele precisa anunciar e proclamar uma coisa que não está acontecendo, na realidade. 

Mas, o fato preocupante, ressaltam estas fontes, é que não apareceram militares do alto comando defendendo o líder oposicionista. O problema, avaliam auxiliares do presidente, é que o oficialato venezuelano se corrompeu e se tornou dono dos negócios na Venezuela e foram altamente beneficiados e corrompidos por Maduro. No entanto, os praças, sargentos, cabos e soldados, não foram beneficiados por Maduro e estão mais revoltados e estariam tendo apoio de uma parte dos generais. Mas, supostos generais, até agora, não se posicionaram a favor de Juan Guaidó.

Demora

A demora no desfecho esperado pelo Brasil, com a pressão para assegurar a saída de Maduro, está se estendendo demais, de acordo com fontes do governo brasileiro, o que pode ser um mal sinal. Se Guaidó não conseguir quebrar o generalato venezuelano nas próximas horas, a tendência é que Maduro acabe se mantendo no poder, o que seria a pior das hipóteses, para o Brasil.

As crises de ruptura na Venezuela têm durado de quatro a cinco dias. A permanecer o atual quadro, Guaidó não conseguirá se sustentar. Fontes do governo brasileiro lembram que foi assim, segurando os militares com a concessão de benesses, muito ampliadas agora, que o ex-presidente Hugo Chavez conseguiu se manter no poder, depois de uma dessas grandes revoltas na Venezuela.


 

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