Para muitos sunitas, Maliki 'tomou' cargo com apoio do Irã

Os contornos da nova coalizão governista iraquiana, liderada pelo xiita Nuri al-Maliki, refletem tanto a crescente influência do Irã quanto a perda de poder dos EUA, sete anos após uma invasão militar que custou 4 mil vidas americanas e mais de 100 mil iraquianas. Mais ainda, o movimento que levou Maliki de volta à cadeira de primeiro-ministro pode voltar a inflamar as tensões entre xiitas e sunitas.

Cenário: John Leland, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2010 | 00h00

Em bairros sunitas da capital iraquiana, o sentimento geral é o de que Maliki roubou a eleição - com o apoio de seus aliados iranianos.

"Em qualquer outro lugar do mundo, quando uma pessoa vence uma eleição, é ela a vitoriosa", reclamava ontem Hamza Hafiz, um barbeiro no tumultuado bairro de Adhamiya. "Então, por que a vitória vai para Maliki? Alguma coisa muito estranha está acontecendo." A coalizão que mais votos obteve nas eleições foi a Iraqyia, de Iyad Allawi, mas ela foi incapaz de formar um governo.

A suspeita tomou eleitores iraquianos irritados com o fornecimento inadequado de eletricidade e outros serviços públicos, além da incapacidade do governo de conter de vez a persistente onda de violência que ainda assola o Iraque.

Zaid al-Quizi, corretor de imóveis no bairro majoritariamente sunita de Yarmuk, diz temer que a volta de Maliki inicie uma onda de violência semelhante à de 2006, quando o sentimento de exclusão levou muitos sunitas a boicotar a campanha eleitoral. Como consequência, o Iraque mergulhou em três anos de violência sectária.

É REPÓRTER DO "NEW YORK TIMES"

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