Omer Messinger / AFP
Omer Messinger / AFP

Para nacionalistas, plenário europeu é palanque para eleições regionais 

Professor de política da Universidade Oxford explica que, para um pequeno partido anti-establishment, é mais fácil concorrer a deputado europeu do que conseguir um assento no Parlamento britânico

Entrevista com

James Tilley

Rodrigo Turrer, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2019 | 01h00

Na opinião do professor de política da Universidade Oxford James Tilley, políticos nacionalistas na disputa pelo Parlamento Europeu tentam elevar soberania e interesses econômicos nacionais em detrimento dos interesses coletivos da União Europeia. Veja a entrevista que ele concedeu ao Estado

Os partidos populistas tendem a obter um bom resultados nas urnas? 

Sim, pesquisas e resultados das eleições locais indicam isso, com exceção de alguns países onde a esquerda é mais forte, como na Espanha.

Qual o objetivo destes partidos?

Basicamente, eles querem tornar mais visíveis suas propostas e talvez expandir seu capital político internamente, usando o plenário europeu como palanque para eleições regionais. Em sua maioria, esses políticos nacionalistas tentam elevar a soberania e os interesses econômicos nacionais em detrimento dos interesses coletivos da UE.

Como eles poderiam obter visibilidade? 

A cláusula de barreira para o Parlamento Europeu é muito mais baixa do que na maioria dos países em eleições nacionais. Então, se você é de um pequeno partido anti-establishment, é mais fácil concorrer a deputado europeu do que conseguir um assento no Parlamento britânico. Então, o Parlamento Europeu é uma excelente porta dos fundos para as principais políticas nacionalistas. É por isso que, muitas vezes, ele atrai os iniciantes. Tornar-se um eurodeputado confere um grau de legitimidade a estes partidos. 

Como eles vão atuar no Parlamento?

Os populistas anti-UE certamente terão ganhos no Parlamento Europeu. O objetivo pragmático não é ganhar a maioria, evidentemente, mas reduzir a maioria mantida pela centro-esquerda e pela centro-direita, que eles enxergam como o establishment que está destruindo a Europa com seus conchavos e parcerias que promovem a burocracia continental e as regulamentações. Mas, mesmo que não obtenham um terço dos deputados, como as pesquisas indicam, eles conseguirão evitar consensos majoritários e obrigarão o grande bloco de centro a negociar com eles.

 

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