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Para neutralizar Rússia, Obama promove tratado comercial com a UE

EUA querem ajudar Europa a se tornar menos dependente de Moscou por energia

O Estado de S. Paulo,

26 de março de 2014 | 12h49

O presidente dos EUA, Barack Obama, e líderes da União Europeia criticaram em conjunto nesta quarta-feira, 26 a anexação da Crimeia pela Rússia e promoveram o comércio transatlântico como um antídoto para a influência russa na região e um meio de ajudar a Europa a se tornar menos dependente de Moscou por energia.

Obama disse que, se o governo russo pensava que podia criar uma cisão entre a Europa e os EUA, errou de cálculo. A declaração foi feita em um discurso no Conselho da União Europeia, depois de um almoço com o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. Segundo participantes, o encontro foi dominado por discussões sobre a Ucrânia.

Rompuy afirmou que as ações da Rússia na Crimeia são uma desgraça no século 21 e a anexação da península ao território russo não será reconhecida. Obama, por sua vez, disse que a coordenação entre os EUA e a Europa com relação às sanções econômicas contra a Rússia tem sido excelente e alertou que, se a Rússia continuar no curso atual, o isolamento vai se aprofundar.

Os líderes dos EUA e da UE expressaram confiança de que concluirão a Parceria de Comércio e Investimentos Transatlântica, conhecida como TTIP, que busca remover barreiras comerciais entre os 28 países do bloco europeu e os EUA. Obama observou que o arranjo para o acordo terá uma ligação com a Ucrânia porque contrabalançará a vantagem energética da Rússia na Europa.

Segundo Obama, alguns países têm dúvidas legítimas sobre se os acordos de livre comércio os beneficiarão no longo prazo, mas sugeriu que os céticos esperem para ver o que será negociado antes de chegarem a conclusões.

O presidente americano afirmou que algumas suspeitas sobre o TTIP são injustificadas e declarou que vem lutando por proteção ao ambiente e aos consumidores durante sua carreira política e não assinará uma legislação que enfraqueça essas proteções. "Estou confiante de que podemos realmente formular um acordo comercial" que seja aceitável para os críticos, disse.

A cúpula EUA-UE foi realizada após as relações entre os governos dos dois lados do Atlântico terem sido afetadas por revelações de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos EUA. Rompuy afirmou que os líderes europeus expressaram suas preocupações diretamente a Obama na reunião e o presidente norte-americano concordou em tomar medidas agressivas para solucionar a questão. Rompuy pediu um "tratamento igualitário para cidadãos dos EUA e da União Europeia". / AP

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